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segunda-feira, 13 de abril de 2026

'Não era para matar e deu 25 tiros', protesta neto de mãe Bernadete após júri

A manifestação ocorreu no fim do primeiro dia do júri
Por, João Tramm e Victor Souza * AratuOn
Mae Bernadete
A família da líder quilombola, mãe Bernadete, protestou nesta segunda-feira (13), contra os acusados de assassinar ialorixá , em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A manifestação ocorreu no fim do primeiro dia do júri de Maurílio dos Santos, acusado de ser o mandante do crime, e Arielson da Conceição Santos, identificado como executor.

Ao Aratu ON, o neto da quilombola, Wellington Pacífico, apontou que a defesa dos acusados tentou retirar a culpa do mandante do homicídio. Segundo ele, no entanto, houve uma contradição entre os advogados com o depoimento de Arielson, que assumiu o assassinato, mas disse que não houve a intenção.

“A todo momento [a defesa] queria tirar a culpa do chefe de Maurílio, queriam inocentar ele. Já o Arielson que estava hoje lá no julgamento, o seu depoimento foi contraditorio. Pois ele assumiu que matou, mas queria dar somente um susto”, disse após o júri no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Wellington ainda questionou o motivo do acusado ter efetuado 25 disparos contra mãe Bernadete, já que não houve a intenção de mata-lá.

“Engraçado que ele disse que não era para matar e deu 25 tiros. Imagina se fosse para assassinar? Espero que amanhã cumpra e se faça justiça. Pelo que vi hoje eles vão ser condenados, mas eu prefiro aguardar amanhã. 


Pacífico alegou ainda que foram encontradas mensagens no celular de um dos acusados, indicando uma possível ligação com o mandante do crime.

"A defesa alega que o mandatário não tem uma ligação, mas não tem provas. Além disso, se não me engano tem algumas mensagens de celular que a polícia encontrou e está na investigação. Então contra fatos, não há argumentos. Os argumentos que estão lá não vão tirar a culpa deles. São pessoas que já tem vários crimes nas costas", afirmou.

Além de Wellington, o advogado Marcos Rudá, explicou ao site sobre a linha da defesa e a fala do acusado.

“Ele confessa o crime e explica como é que foi a execução, se demonstrou arrependido e etc. Mas [ele] disse que tinha intenção apenas de dar um susto e que tudo fugiu do controle, muito por uma motivação de uma outra pessoa chamada BZ”, falou. ‘BZ’ é o apelido de Josevan Dionisio dos Santos, que foi preso em setembro do ano passado por participação no crime.

O júri do Caso Mãe Bernadete continua nesta terça-feira (14) na capital baiana.

Entenda o caso
Mãe Bernadete foi vítima de homicídio em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.

Na época do crime, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da própria SJDH, havia pelo menos dois anos, em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.

O assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teria tido como mandante Marílio dos Santos. Ele é investigado e apontado, pelo MP-BA, como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.

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