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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Mulheres ainda são minoria entre os servidores públicos mais bem pagos

Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Por Ângela Kempfer - Um levantamento feito com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica) aponta que a maioria dos servidores públicos que recebem mais de 20 salários mínimos é homem, enquanto as mulheres dominam a faixa dos que recebem até dois salários mínimos por mês.

Os dados fazem parte de uma estudo feito pela República.org, que utilizou como base a PNADc (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

As mulheres são apenas 21% entre os servidores com mais de 20 salários mensais. Em 2016, segundo a República.org, elas representavam 31%, enquanto os homens, 69%.

Maioria no serviço público, mulheres têm salário menor e menos cargos de chefia
Estudo da República.org aponta desigualdade salarial, barreiras à liderança e impacto de raça em oportunidades.

Apesar de serem maioria no serviço público brasileiro, as mulheres ainda enfrentam desigualdades salariais e barreiras para chegar aos cargos mais altos. É o que mostra um levantamento feito pela organização República.org, que analisa a presença feminina na administração pública e revela um cenário de inclusão parcial e desigual.

As mulheres representam 51% da população e 61% dos vínculos civis no setor público. À primeira vista, o dado sugere equilíbrio. Mas, ao olhar mais de perto, a realidade muda. Nos cargos de liderança, como diretorias e gerências, essa proporção se inverte e os homens passam a ser maioria.

O fenômeno é explicado por um conceito conhecido como “burocracia representativa”. Em termos simples, ele indica que a presença de diferentes grupos no Estado influencia diretamente a criação de políticas públicas mais equilibradas. Quando mulheres e outros grupos não chegam aos espaços de decisão, suas demandas tendem a ficar em segundo plano.

A desigualdade também aparece no salário. Em média, homens ganham 37% a mais que mulheres no serviço público. Quando o recorte inclui raça, o cenário piora: homens brancos recebem, em média, 94% a mais que mulheres negras.

Mesmo com tabelas salariais definidas, a diferença acontece porque homens e mulheres ocupam posições diferentes dentro da estrutura. O estudo aponta dois tipos de segregação. A vertical, conhecida como “teto de vidro”, dificulta a chegada de mulheres aos cargos mais altos. Já a horizontal concentra mulheres em áreas historicamente menos valorizadas, como saúde, educação e assistência social.

A comparação internacional reforça o problema. O Brasil tem uma das maiores proporções de mulheres no setor público, mas também apresenta um dos piores índices de igualdade salarial. Enquanto no setor privado o salário feminino equivale a 77% do masculino, no setor público essa proporção cai para 72%.

O país também aparece mal posicionado quando o assunto é liderança. Em levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Brasil ocupa a última colocação na presença de mulheres em cargos de decisão entre países da América Latina e Caribe.

Dentro do próprio país, as desigualdades variam conforme o nível de governo. No âmbito municipal, mulheres negras são maioria nos vínculos, mas representam menos de um quarto das lideranças. No nível federal, a presença feminina é ainda menor, com apenas 11,8% de mulheres negras em cargos de gestão.

A diferença salarial também se aprofunda nesses espaços. Em cargos de liderança, mulheres negras recebem, em média, menos da metade do salário de homens brancos.

O estudo aponta que essas distorções não são resultado direto de regras salariais, mas da forma como o mercado de trabalho público está estruturado. A concentração feminina em áreas menos valorizadas e a dificuldade de ascensão ajudam a explicar o cenário.

Para especialistas, enfrentar o problema passa por ampliar a presença feminina nos cargos de decisão e criar políticas que incentivem a diversidade dentro do Estado. Hoje, apenas 2,7% dos municípios brasileiros têm alguma política de priorização de mulheres em cargos de chefia.

Outro desafio é a falta de dados. O levantamento aponta que ainda não há informações sistematizadas sobre a população LGBTQIAP+ no serviço público, o que impede análises mais completas sobre desigualdade e representação.... veja mais em campograndenews

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