Sistema de pagamentos instantâneos brasileiro é seguro, mas requer cuidado e atenção
Banco do Brasil lança Pix na Argentina | Reprodução

Paulo Holland*sbt
O Pix atingiu R$ 35,36 trilhões em transações em 2025, se consolidando como uma inovação tecnológica que teve como resultado a inclusão bancária da maior parte da população. Apesar dos benefícios do novo mecanismo, a ferramenta abriu portas para novos golpes. Cada vez mais comuns, os crimes envolvendo o Pix merecem atenção e cuidado.
Diogo Sersante, diretor regional para a América Latina da Incognia, empresa especializada em prevenção a fraudes digitais, diz que o Pix é seguro, porém reforça que os golpes estão cada vez mais sofisticados:
“O Banco Central construiu uma infraestrutura com criptografia e rastreabilidade que a maioria dos países não tem. O problema não está no trilho, está na conta”, explica Sersante.
Modalidades de golpe
Entre os golpes mais usuais estão as falsas ligações "do banco" dizendo que a conta do usuário será bloqueada, tentando convencer a vítima a fazer uma transferência para evitar o bloqueio. É comum também criminosos se passarem por parentes em redes sociais pedindo dinheiro aos familiares e os famosos "falsos QR Code".
Golpistas mais sofisticados utilizam da tecnologia para realizar esses crimes. Também conhecido como “golpe da mão fantasma”, o RAT (sigla em inglês para cavalo de Troia de acesso remoto, remote access trojan), faz com que a vítima instale, sem saber, um aplicativo malicioso. A partir daí, o criminoso consegue operar o celular hackeado em tempo real, com acesso inclusive à conta bancária.
Sersante explica que além do usuário ser mais atento, os bancos têm a responsabilidade de zelar pela segurança dos dados.
“A responsabilidade não pode ser só do usuário. A maioria das pessoas não tem como identificar um link malicioso ou saber que o app foi comprometido. Por isso, os bancos precisam de tecnologia que detecte o golpe antes da transferência acontecer, sem depender do cliente perceber que algo está errado”, afirma.
Dicas para usar Pix com segurança
O especialista compartilhou dicas de segurança para que as pessoas possam se proteger contra esses tipos de golpes com Pix:
Ativar o limite noturno do Pix no app do banco. Entre 20h e 6h, o padrão é R$ 1.000. Se você não faz transferências com valores altos nesse período, mantenha esse limite baixo.
Não deixar o celular desbloqueado com o app do banco aberto. Se o celular for roubado, isso facilita o trabalho do fraudador.
Desconfiar de qualquer urgência: bancos não costumam ligar pedindo transferências de dinheiro para uma "conta segura". Se isso acontecer, desligue e ligue você mesmo para o número oficial do banco.
E o mais importante: se algo parecer estranho em uma transação, cancele e confirme por outros canais a procedência dessa movimentação.
Pix em números
Mais de 170 milhões de pessoas físicas cadastradas, cerca de 80% da população;
Mais de 7 bilhões de transações apenas em janeiro de 2026;
Mais de R$ 3 trilhões em volume de transações somente em outubro de 2025;
Recorde de transações em um único dia, 313,1 milhões, em 5 dezembro de 2025.
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