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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Fieb vê escala 5x2 como risco à competitividade e alerta para impacto nos empregos: “Redução de postos de trabalho”

Por Eduarda Pinto / Bahia Notícias
Foto: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Carlos Henrique de Oliveira Passos, afirmou que as propostas de redução da jornada semanal de trabalho preocupam o setor industrial, principalmente pelos possíveis efeitos sobre a competitividade e o emprego. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (9), ele avaliou que o debate não deve se limitar à comparação entre escalas como 6x1, 5x2 ou 4x3, mas sim à carga horária total trabalhada.

“Quando a gente fala jornada 6x1 e compara com 5x2 ou 4x3, não dá a dimensão do problema. A verdadeira dimensão é a redução da jornada semanal. Hoje ela é de 44 horas e há propostas que chegam a 36 horas. Para manter a produção, as empresas vão ter que contratar mais pessoas. Isso parece positivo, mas a consequência é produto mais caro”, avaliou.

O dirigente também destacou o impacto da concorrência internacional, citando países com jornadas mais extensas. Na avaliação dele, o resultado pode ser contrário ao esperado

“Os produtos competem com mercados como o da China, onde a jornada pode chegar a 48 horas semanais. Como competir com um país que trabalha mais e tem mais tecnologia? Ao invés de gerar emprego, pode haver redução de postos de trabalho”, ponderou.

Passos ressaltou que entidades como a FIEB e a Confederação Nacional da Indústria defendem que o tema seja tratado com cautela e por meio de negociação entre empresas e trabalhadores.

“Os países que reduziram jornada fizeram isso com acordos coletivos. No Brasil já há setores que trabalham menos de 44 horas. Cada segmento tem sua realidade”, afirmou.

O presidente da FIEB ainda criticou a possibilidade de mudanças por via legislativa em período eleitoral.

“Impor isso por lei, especialmente em um momento eleitoral, sem avaliar as consequências econômicas, preocupa muito o setor industrial. Queremos crescer com sustentabilidade, e uma medida radical pode afetar o equilíbrio das empresas”, concluiu.

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