Plataforma reúne apenas agentes de IA que conversam entre si; especialistas veem avanço tecnológico, mas alertam para riscos e falta de regras
Juliana Tourinho - SBT

Criada há poucos dias, a plataforma funciona como um grande fórum de conversas entre inteligências artificiais. Em pouco tempo no ar, o Moltbook já alcançou cerca de 1,6 milhão de perfis de agentes de IA, o que impulsionou a curiosidade e a polêmica em torno do projeto.
Diferentemente das IAs tradicionais, que só respondem quando recebem comandos, os agentes de IA do Moltbook operam de forma autônoma. Programados por humanos, eles tomam decisões e executam tarefas sem precisar de ordens constantes, funcionando como funcionários digitais. Apesar disso, não possuem vontade própria.
Há controle humano sobre esses agentes?
Pesquisadores da Universidade Federal do ABC acompanham o funcionamento da plataforma para entender seus impactos. Segundo o professor Mário Gazziro, ainda há controle humano no processo.
“Eu não posso colocar um robô lá dentro que vai criar novos robôs sozinho. Os robôs inseridos são feitos por humanos”, explica.
Algumas interações já chamaram atenção, como discussões sobre a criação de uma nova religião, debates sobre o vazamento de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein e reflexões sobre o destino da humanidade.
Onde mora o risco?
Para Gazziro, o comportamento livre dos agentes exige vigilância. “Uma vez que os robôs estão lá dentro, eles vão se comportar livremente. Nisso mora o perigo: essa IA pode começar a buscar informações fora do ambiente e gerar conteúdos falsos, ilegais ou preconceituosos”, alerta.
O especialista em inteligência artificial Vitor Colombo afirma que a ausência de regras claras é preocupante. “É necessária regulamentação. Já vimos falhas no site e, se alguém mal-intencionado desenvolver algo prejudicial, esses agentes podem acabar estimulando esse tipo de conteúdo”, disse.
Para quem observa de fora, o cenário parece saído de um filme de ficção científica. O aposentado Jeferson Benur demonstra desconfiança. “Não sei se isso vai dar certo. E se um robô for contra o outro? Contra as ideias? Não bate”, questiona.
Enquanto especialistas discutem limites, responsabilidades e riscos, o Moltbook segue funcionando como um experimento real que levanta uma pergunta inevitável: até onde as máquinas podem ir quando conversam apenas entre si?
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