O Brasil fez história no Oscar 2025, quando Ainda Estou Aqui, dirigido por Iberê Carvalho, conquistou a estatueta de Melhor Filme Internacional, um feito inédito para o país. O filme, que também recebeu indicações nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz (com Fernanda Torres), reflete a crescente projeção do cinema brasileiro no cenário internacional, com desdobramentos promissores para o futuro. Por 180graus
Especialistas são unânimes em afirmar que as indicações ao Oscar são fundamentais para quebrar estereótipos ultrapassados sobre o cinema brasileiro, que ainda enfrenta desafios em um mercado cinematográfico dominado por produções estrangeiras. Para o cineasta Iberê Carvalho, essa visibilidade é essencial, pois atrai a atenção do público internacional e gera um renovado interesse pelo cinema brasileiro.
Crítica de cinema e votante no Globo de Ouro, Fabiana Lima destaca a importância de valorizar as produções nacionais, especialmente após anos de desafios à indústria cultural e audiovisual. A professora da UnB, Rose May, também ressalta que as indicações abrem portas para investimentos em profissionais do cinema, como roteiristas e diretores, essencial para garantir a continuidade da produção de um cinema nacional de qualidade.
Com mais de 5,1 milhões de espectadores no Brasil, Ainda Estou Aqui consolidou-se como a terceira maior bilheteira desde 2018, arrecadando R$ 104,6 milhões. Internacionalmente, o filme também teve grande sucesso, arrecadando US$ 4,26 milhões (aproximadamente R$ 24,8 milhões) em sua estreia nos Estados Unidos e Canadá. O número de salas exibindo o filme também atingiu um pico de 704 cinemas nos EUA, após as indicações ao Oscar.
Iberê Carvalho afirma que as indicações ajudaram a atrair ainda mais público para as salas de cinema, gerando um "aquecimento do mercado interno" que, se bem aproveitado, pode fortalecer o cinema nacional. Além disso, ele destaca a importância de políticas públicas de incentivo, como a Cota Tela, para garantir a continuidade e sustentabilidade dessa indústria.
Ivana Bentes, professora e especialista em cinema, observa que, apesar dos desafios, o Brasil possui grandes talentos na arte, mas que, muitas vezes, são escondidos devido à falta de visibilidade e oportunidades. Ela compara o cenário com o futebol, ressaltando que, assim como no esporte, os artistas brasileiros enfrentam dificuldades para se destacar internacionalmente.
Com a crescente visibilidade de Ainda Estou Aqui, o futuro do cinema brasileiro parece mais promissor, com a possibilidade de um ciclo virtuoso de produção e reconhecimento internacional. Contudo, especialistas alertam para a necessidade de investimentos contínuos para garantir que o cinema nacional continue a prosperar e a se destacar globalmente.

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