Uma em cada dez graduações avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC) em 2015 foi reprovada com menções 1 ou 2, consideradas insatisfatórias, no Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador de qualidade cuja escala vai até 5. Em termos proporcionais, representam 11,3% do total de 8.121 cursos avaliados. A maior parte (57,7%) teve CPC 3, 26,5% obtiveram nota 4 e apenas 1,2% foi classificado com menção 5, além de 3,2% para as quais não há cálculo. No Índice Geral de Cursos (IGC), em que se avalia a instituição como um todo, 14,8% tiveram mau desempenho, com conceitos 1 e 2, o que equivale a pouco mais de 310 universidades, faculdades e institutos entre os 2.109 analisados.
Eles estavam associados a 8.121 graduações em Ciências Sociais Aplicadas, Humanas e afins — como direito, psicologia, administração, jornalismo e turismo — e cursos superiores tecnológicos em gestão de negócios, apoio escolar, hospitalidade e lazer, produção cultural e design — a exemplo de comércio exterior, design de moda e gastronomia. Dados individualizados dos cursos por instituição serão disponibilizados no site do Inep ainda hoje.
O Enade, exame aplicado aos concluintes de um determinado bloco de graduações a cada três anos, é apenas um dos componentes do CPC, que engloba outros aspectos, como a titulação do corpo docente e a infraestrutura do curso. Com base nas notas, é calculado o chamado Conceito Enade para cada curso, também representado na escala de 1 a 5. Na edição de 2015, 30,3% das graduações avaliadas foram reprovadas, com menção 1 e 2.
As médias obtidas pelos alunos na aplicação de 2015, numa escala de 0 a 100, mostram o baixo desempenho: variaram de 52,8 a 57,9 na prova de formação geral, com questões iguais para todos os cursos (oito de múltipla escolha e duas discursivas). Na parte específica da avaliação (com 27 itens objetivos e três discursivos), as notas pioraram: ficaram entre 41,8 a 44,9 na média.
Os técnicos do Inep alertam que a falta de incentivo para fazer o Enade leva muitos estudantes a só assinarem o nome ou não responderem a prova com afinco. E que a média simplesmente não reflete a qualidade do curso. Por isso, o conceito obtido na avaliação é apenas uma das variáveis para se chegar a uma medição mais apurada do curso (com o CPC) e da instituição (com o IGC).
No entanto, olhando para qualquer dos indicadores, a presidente do Inep, Maria Inês Fini, considera que o ensino superior no país está estacionado.
"Os resultados que obtivemos não indica melhoria significativa das instituições avaliadas. Nem piora. Estamos num mesmo patamar de qualidade. Mas o Inep só gera os resultados, quem cuida da regulação, a partir da avaliação, é o MEC, que toma providências no caso de notas baixas", explica Fini.
O CPC, IGC e o Conceito Enade são divididos em faixas de desempenho de 1 a 5 a partir de uma “curva de Gauss”. Essa metodologia distribui os cursos ou instituições avaliadas de de forma relativa em relação aos demais. Ou seja, quanto mais acima da média, mais o item avaliado vai se distanciando da menção 3 rumo às posições 4 e 5. Da mesma forma, quanto mais abaixo da média, ele se desloca para os conceitos 2 e 1.
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