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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Desigualdade social diminui no Brasil

Foto: Thinkstock/BBC
É claro que a desigualdade no Brasil ainda é altíssima, mas a boa notícia é quem vem diminuindo nos últimos 10 anos, de acordo com um estudo divulgado pelo IPEA, PNUD e Fundação João Pinheiro.
No do tripé de quesitos considerados ? longevidade, renda e educação ? o último foi o que apresentou maior crescimento em todas as 16 regiões metropolitanas sob análise.

Principal responsável por alavancar o crescimento do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) nas grandes cidades, o fator educação é medido pelas instituições com base em dois aspectos: a escolaridade dos adultos já fora do sistema educacional, e a frequência escolar de crianças e jovens às séries corretas com suas idades.

Em São Paulo, região com maior IDHM do país, de 0,794, a educação cresceu 0,131.
Já em Manaus, região com menor IDHM do país, o mesmo aspecto teve crescimento de 0,222.

A escala usada pelo índice vai de 0 a 1, sendo que:
um IDHM entre 0 e 0,499 é considerado como "muito baixo",
entre 0,500 e 0,599, "baixo"; 
entre 0,600 e 0,699, "médio"; 
entre 0,700 e 0,799, "alto" 
e entre 0,800 e 1, "muito alto".

Os dados são do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e da Fundação João Pinheiro, a partir de dados dos Censos do IBGE de 2000 e 2010.

Para os autores do estudo, um dos aspectos mais positivos dos resultados é a diminuição do vão entre as duas regiões. Apesar de reconhecer problemas e a manutenção das disparidades, segundo o estudo, o país tem se tornado cada vez menos desigual.

"A tendência é importante. Estamos nesses últimos anos numa rota de redução da desigualdade, e a continuidade dessa trajetória é crucial. Ainda que haja diferenças, o nível de desenvolvimento humano da sociedade brasileira aumentou", avalia Marco Aurélio Costa, economista do IPEA, e um dos autores da pesquisa.

Cidade 2010 2000
1 São Paulo 0,794 0,714
2 DF e Entorno 0,792 0,680
3 Curitiba 0,783 0,698
4 Belo Horizonte 0,774 0,682
5 Grande Vitória 0,772 0,678
6 Rio de Janeiro 0,771 0,686
7 Goiânia 0,769 0,667
8 Vale do Rio Cuiabá 0,767 0,668
9 Porto Alegre 0,762 0,685
10 Grande São Luís 0,755 0,642
11 Salvador 0,743 0,636
12 Recife 0,734 0,627
13 Natal 0,733 0,625
14 Fortaleza 0,732 0,622
15 Belém 0,729 0,621
16 Manaus 0,720 0,585

Educação
Ele destaca que dentre os dois fatores analisados para compor o quesito educação, a frequência escolar sem defasagem de série foi a que mais pesou.

"Isso se explica em grande parte pelas políticas públicas de médio e longo prazo que o país vem empreendendo nos últimos anos. Há cada vez mais crianças e jovens dentro das escolas, nas séries corretas para suas idades, e isso é um avanço", diz.

Costa ressalta que os três fatores estão interligados.

"Com mais escolaridade e expectativa de vida, a gente está conseguindo colocar esses brasileiros no mercado de trabalho, para disputar uma boa renda em condições muito melhores do que há 20 anos. É claro que isso não se faz da noite para o dia, é um processo", diz.

Mas para a Mônica Pinhanez, doutora pelo MIT e professora da Escola de Finanças Públicas e Administração Pública da FGV-Rio, é preciso olhar os dados com uma lupa.

"Eu acho que de fato melhorou, não é algo a ser descartado, de forma alguma. Mas precisamos ter um olhar crítico. Com a nova aprovação automática de séries escolares, essas crianças têm mais anos de escolaridade, mas estão aprendendo? A pesquisa não mede de forma qualitativa, se o ensino vai bem ou mal", questiona.

Entre as 16 regiões metropolitanas analisadas, São Paulo teve o maior IDHM

Para ela, é necessário medir se as crianças estão lendo mais e melhor, se conseguem interpretar textos, como se saem em exames como o Enem e o Enade.

"O que essas pessoas conseguiram na vida depois do Ensino Médio e da universidade? Que oportunidades estão tendo? Isso também deveria ser levado em conta", acrescenta a professora.

Marco Aurélio Costa admite que "não há um componente de avaliação da qualidade do ensino dentro do cálculo do índice", e reconhece a importância e a relevância disso, mas frisa que o esforço de aumentar a frequência e permanência da população nos bancos escolares é algo a se comemorar. Com informações da BBC

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