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quarta-feira, 18 de março de 2026

PMs envolvidos em morte de médica no Rio estavam com câmeras corporais descarregadas

Andréa Marins Dias foi atingida nas costas durante perseguição policial; suspeita é de que carro da vítima tenha sido confundido com o de criminosos
Andrea, de 61 anos, era ginecologista e cirurgiã oncológica | Reprodução/redes sociais
Camila Stucaluc * sbt
As câmeras corporais dos três policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte da médica Andréa Marins Dias, no Rio de Janeiro, estavam descarregadas. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado da Polícia Militar, que irá investigar o ocorrido.

“Todos esses fatos seguem sob apuração integral. Vale ressaltar que na corporação existem normas rígidas que determinam que os policiais, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, devem regressar à unidade de origem para substituição dos equipamentos”, disse.

O caso ocorreu na noite de domingo (15), na região de Cascadura, zona norte do Rio. A suspeita é que os PMs tenham confundido o carro de Andréa, que havia acabado de sair da casa dos pais, com o de criminosos.

Segundo informado, os agentes receberam a informação de que um carro modelo Corolla Cross estaria envolvido em roubos na região. Durante o patrulhamento, três veículos foram localizados, entre eles o modelo citado na denúncia. Ocupantes de um dos carros teriam disparado contra a viatura, o que deu início a uma perseguição com troca de tiros.

Após a ação, os agentes identificaram o Corolla Cross, que estava parado, com marcas de disparos. Quando abriram a porta, encontraram Andréa no banco do motorista já sem vida. Um vídeo divulgado por testemunhas mostra o momento:

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que apura de onde partiu os disparos que mataram a médica. Um laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a profissional foi atingida por três tiros, todos nas costas, o que reforça a versão dada por testemunhas de que os PMs dispararam na traseira do veículo.

Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que, por determinação do comandante do Batalhão de Rocha Miranda (9° BPM), os agentes envolvidos na ação foram afastados de atividades externas. Reforçou, ainda, que colabora integralmente com as investigações.

Pelas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lamentou a morte de Andréa, classificando o caso como “desolador”. Um ofício foi enviado por ela ao governo do Rio, no qual cobra uma investigação “rápida e rigorosa” do caso, bem como a promoção de políticas que garantam a proteção das vidas da população no Estado.

Quem era Andréa?
Formada em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Andréa Marins Dias, de 61 anos, era ginecologista e cirurgiã geral e oncológica, com atuação de quase 30 anos no cuidado com o corpo e a saúde da mulher.

Pelas redes sociais, publicava dicas e informações sobre saúde, sobretudo para ajudar mulheres com endometriose a buscarem diagnóstico precoce e se informarem sobre o tratamento. A profissional, que acumulava mais de 3 mil seguidores no Instagram, também era autora de um ebook sobre sobre a saúde feminina.

Na segunda-feira (16), o perfil da médica publicou uma nota de pesar, dizendo que a dedicação de Andréia à medicina e ao cuidado com as mulheres "deixa um legado que jamais será esquecido". Um dia depois, na terça-feira (17), amigos e familiares se despediram da médica. O enterro aconteceu no Cemitério da Penitência, na Zona Portuária do Rio.

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