Especialistas alertam para os impactos físicos, emocionais e comportamentais da rotina acelerada que afeta mães e filhos
Sentir-se cansado ao final de um dia intenso é esperado. O que preocupa especialistas é o fato de que, para muitas pessoas, o cansaço deixou de ser uma condição passageira e passou a fazer parte da rotina. Mesmo após uma noite de sono, mulheres relatam exaustão constante, dificuldade de concentração, irritabilidade e sensação de sobrecarga. Ao mesmo tempo, crianças apresentam alterações de comportamento, problemas de sono e dificuldade para lidar com emoções.
O fenômeno tem chamado a atenção de profissionais da saúde, que observam um aumento significativo dos efeitos físicos e emocionais provocados pelo excesso de estímulos, pela hiperconectividade e pelas exigências cada vez maiores da vida moderna.
Para a ginecologista Dra. Camila Bolonhezi, a exaustão feminina muitas vezes vai além do desgaste físico.
"As mulheres costumam acumular múltiplas funções ao longo do dia. Além das demandas profissionais, muitas assumem a maior parte da organização da casa, dos cuidados com os filhos e da gestão da rotina familiar. Essa sobrecarga contínua pode gerar impactos importantes na saúde hormonal e no bem-estar geral", explica.
Segundo a especialista, o estresse crônico pode desencadear alterações menstruais, queda da libido, dificuldades para dormir e até influenciar a fertilidade.
"O organismo não foi feito para permanecer em estado constante de alerta. Quando isso acontece por períodos prolongados, o corpo começa a emitir sinais de que algo não está funcionando adequadamente", afirma.
A psiquiatra Dra. Bianca Bolonhezi destaca que a sociedade passou a normalizar o esgotamento, transformando o excesso de tarefas em um comportamento esperado.
"Vivemos uma cultura que valoriza a produtividade acima de tudo. Muitas pessoas sentem culpa ao descansar e acreditam que precisam estar sempre disponíveis, conectadas e produzindo. Esse padrão contribui diretamente para o aumento dos quadros de ansiedade, estresse e burnout", observa.
De acordo com a médica, o cansaço emocional costuma se manifestar de diferentes formas.
"Nem sempre ele aparece apenas como falta de energia. Muitas vezes surgem irritabilidade, dificuldade de concentração, sensação de sobrecarga, alterações de sono e até sintomas físicos como dores de cabeça e desconfortos gastrointestinais", explica.
O impacto desse cenário também chega às crianças. Para a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, a infância tem sido marcada por agendas cada vez mais preenchidas e pelo excesso de estímulos.
"Hoje muitas crianças passam o dia entre escola, atividades extracurriculares, compromissos e telas. Em alguns casos, há pouco espaço para o descanso, para o brincar livre e para momentos de relaxamento, que são fundamentais para o desenvolvimento saudável", afirma.
A especialista alerta que o cansaço infantil nem sempre é percebido pelos adultos.