Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP**Bacharel em direito
Nos jogos de futebol sempre aparece o gritinho, repetidas vezes, de “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...” Até emociona, mas a cidadania orgulhosa do brasileiro fica restrita aos estádios.
Essa euforia precisaria ir além do futebol e alcançar ações coletivas no dia a dia. Reforça essa tese esperta contida na frase “o brasileiro não desiste nunca”. Isso serve para deixar-nos contentes e para ficarmos acomodados, mesmo diante de aumento de impostos constantemente para benesses daqueles que fazem essa apologia.
Com relação à frase em si, seria importante saber por que há o orgulho em ser brasileiro. Poderia ser por ter um país com distribuição de renda justa, sem disparidades galácticas entre ricos e pobres.
Poderia ser por viver num país onde se curasse uma dor com facilidade. Todos os dias as notícias dão conta de pessoas morrendo nas filas de postos de saúde e de hospitais, sem qualquer atendimento. O ápice nessa questão são pessoas com câncer sem os medicamentos e sem aparelhos para diagnosticar a doença.
Poderia ser por viver num país tranquilo – o que é apregoado pela mídia de modo geral, mas aqui morrem assassinados mais de 50 mil a cada ano. E esses números não diminuem. Não existe estatística aceitável sobre crime, mas aceitasse um quinto desse número, ainda assim seriam mais de 10 mil, número maior do que em centenas de partidas nos campeonatos nacionais de futebol.






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