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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Após boicote de Níkolas Ferreira, chef Júlio Ritta serve picanha a 500 pessoas com fome

Rinaldo de Oliveira / SNB
O chef Júlio Ritta serve picanha a 500 pessoas em Porto Alegre (RS) e responde a Nikolas Ferreira após perder patrocinadores por declarar voto em Lula
- Fotos: reprodução/ Instagram/ @julioritta
O mal se combate com o bem e foi o que fez o chef Júlio Ritta, após a discussão que teve nas redes sociais com o deputado bolsonarista Níkolas Ferreira (PL-MG). O Júlio serve comida a pessoas necessitadas há 11 anos em Porto Alegre (RS) e contou que sofreu um boicote: perdeu doações e patrocinadores depois que anunciou voto no presidente Lula. O deputado viu e fez um post nas redes ironizando a perda.

Níkolas perguntou por que Júlio aceitava dinheiro de pessoas que ele criticava politicamente e debochou: “Afinal, por que receber o dinheiro de quem é miliciano, extremista, fascista e genocida? Coerência, né? Simples”, escreveu o deputado. E a resposta do cozinheiro veio com amor e atitude.

Neste sábado, 31, Júlio serviu picanha, risoto, salada, suco e sobremesa para mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade social, em Porto Alegre (RS) e gravou vídeo mostrando o banquete feito com equipe do Cozinheiros do Bem preparou: “Mais de 500 pessoas hoje aqui no Viaduto da Conceição não vão precisar meter a mão numa lata de lixo pra comer. E essa é a porra da nossa vitória!”. O Júlio Ritta há onze anos serve comida nesse viaduto, em Porto Alegre”. O vídeo está com quase 3 milhões de visualizações.

Devolveu com ironia
E o chef devolveu ironia com ironia: “Ao invés de propagar fake news, viajar com jatinho emprestado, eu resolvi servir a tal da picanha que vocês falavam que era picanha do Lula. Se o Lula serve ou não, não tô nem aí, meu irmão”, disse.

E provocou Níkolas a também ajudar pessoas que passam fome:

“Eu acho que tu ainda tava nas fraldas quando eu comecei a servir comida nesse viaduto. Quem sabe tu não faz o mesmo? Tu é novo ainda, tem muito que aprender”, afirmou. Júlio disse que o projeto já distribuiu mais de 8 milhões de marmitas em 11 anos de atuação.

Como tudo começou
A polêmica começou depois que Júlio denunciou a desistência de empresários e doadores que ajudavam o Cozinheiros do Bem. Segundo ele, a retirada do apoio ocorreu após declarar voto em Lula, reeleito presidente no segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Entre os compromissos cancelados estavam o pagamento das passagens do rapper MV Bill, convidado para a festa de 11 anos do projeto, marcada para 14 de novembro, e doações de lenha e grelhas para churrasqueiras.

Nikolas Ferreira compartilhou o vídeo do cozinheiro e questionou por que os patrocinadores deveriam continuar colaborando com alguém que, segundo o deputado, havia ofendido eleitores da direita. “Afinal, por que receber o dinheiro de quem é miliciano, extremista, fascista e genocida? Coerência, né? Simples”, escreveu Nikolas, referindo-se às expressões que atribuiu a Júlio.

“Late mais alto, moleque”
O cozinheiro respondeu inicialmente nas redes sociais: “Late mais alto, moleque”. Depois, gravou o vídeo diante da equipe do Cozinheiros do Bem, questionando a postura do parlamentar.

“Vocês acharam que vocês iam derrubar? Hein, seu moleque Nikolas Ferreira? Eu nem conheço a tua história, sabe por quê? Porque eu não tenho tempo pra isso.”

Júlio também criticou quem usou o resultado das eleições para justificar a suspensão das doações. “E aí vocês vêm com a pachorra de dizer: Faz o L, pede pro teu presidente. Há onze anos eu faço isso.”

Picanha, risoto e sobremesa
No vídeo publicado no Instagram, Júlio apresentou as refeições preparadas pela equipe.

O cardápio incluía risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, tomate-cereja, alface picada, suco gelado e cuca, um doce tradicional do Sul.

A escolha da picanha também foi uma provocação política. Mais no sonoticiaboa

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