Análise aponta crescimento de 60 vezes no número de seguidores em seis dias
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Uma análise técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou notícias falsas específicas no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O levantamento, feito entre 2 e 11 de outubro a pedido do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, também apontou indícios de mobilização coordenada para ampliar o alcance de publicações digitais. As informações são do Metrópoles.
Crescimento e mobilização
Durante a análise, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) verificou as mensagens públicas do canal e não encontrou as afirmações investigadas no processo, relacionadas a possíveis cortes de benefícios sociais, mudanças nas aposentadorias e temas religiosos. No entanto, o parecer identificou “evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais”.
O relatório também registrou um crescimento expressivo da audiência. Entre 5 e 11 de outubro, o número de seguidores passou de cerca de 55 mil para 3,3 milhões, um aumento de aproximadamente 60 vezes em seis dias. Mensagens de convocação chegaram a registrar 344 mil encaminhamentos. A equipe apontou orientações para curtir, comentar e compartilhar vídeos antes mesmo de assisti-los, além de ações organizadas para impulsionar hashtags no X, antigo Twitter. O documento diz que parte das publicações feitas em setembro foi apagada antes da verificação e que o pedido de urgência impediu a transcrição completa dos vídeos relacionados às mensagens.
Disputa no TSE
A análise foi solicitada após Nunes Marques pedir informações sobre a circulação de conteúdos investigados e possíveis ações coordenadas para divulgá-los. O ministro chegou a determinar a suspensão do canal em 11 de outubro, mas o corregedor-geral do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e restabeleceu seu funcionamento. O caso será analisado pelo plenário da Corte.
O canal divulga orientações e links para conteúdos de interesse da militância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também pediu publicamente que seus apoiadores acompanhassem o grupo. Em reação, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criou a “Tropa do Flávio”, voltada à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que reunia 1,4 milhão de seguidores, segundo o texto original.
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