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domingo, 20 de setembro de 2026

Petrobras estreia o primeiro navio com tripulação 100% feminina

A estreia do Programa Mar Aberto da Petrobras ganhou um marco humano além do avanço industrial: o Starnav Elektra fez sua primeira viagem com uma tripulação 100% feminina, formada por 16 mulheres. O navio, construído em Santa Catarina com investimento de aproximadamente R$ 450 milhões, inicia uma nova etapa da expansão da frota offshore da estatal. Via defesaemfoco

16 mulheres assumem a viagem inaugural do Starnav Elektra
Foto: Sergio Bittencourt / Petrobras
A viagem inaugural do Starnav Elektra, realizada entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro, foi conduzida por uma equipe composta exclusivamente por mulheres. Ao todo, 16 tripulantes participaram do deslocamento, sob comando de Isabela Teixeira Ponce de Leon, dando ao primeiro navio entregue pelo Programa Mar Aberto uma dimensão humana que se soma ao caráter industrial e tecnológico do projeto.

O episódio também amplia a visibilidade da presença feminina em uma atividade tradicionalmente marcada por forte predominância masculina. A composição integralmente feminina da tripulação chamou atenção justamente por ocorrer na estreia de uma embarcação que simboliza a renovação da frota de apoio marítimo da Petrobras.

A Petrobras confirmou a formação 100% feminina dessa viagem específica, mas as fontes consultadas não sustentam a afirmação de que se tratou da primeira tripulação desse tipo na história da navegação offshore brasileira. Por isso, o marco deve ser tratado pelo que está comprovado: 16 mulheres conduziram a viagem inaugural do primeiro navio entregue pelo Programa Mar Aberto.

Navio de R$ 450 milhões amplia capacidade de apoio offshore
Construído em Itajaí, Santa Catarina, pelo Estaleiro Detroit, o Starnav Elektra recebeu investimento de cerca de R$ 450 milhões e foi projetado para atuar no apoio às operações offshore da Petrobras nas bacias petrolíferas brasileiras. A embarcação pertence à classe dos Platform Supply Vessels (PSV), navios utilizados no transporte de suprimentos, materiais e insumos entre bases terrestres e instalações de produção no mar.

Esse tipo de embarcação desempenha função logística essencial para plataformas offshore, permitindo o transporte de água, diesel, produtos químicos, peças, equipamentos e outras cargas necessárias à continuidade das operações marítimas. Ao incorporar um novo PSV à frota contratada, a Petrobras amplia a capacidade de apoio às atividades em alto-mar e reduz a dependência de embarcações mais antigas e menos eficientes.

O Elektra também incorpora soluções voltadas à eficiência energética. Entre os recursos divulgados estão bancos de baterias, sistemas de telemetria para monitoramento do consumo, novas pinturas e tecnologias anti-incrustação, além da possibilidade futura de utilização parcial de combustível renovável. O objetivo é reduzir consumo e emissões sem comprometer a capacidade operacional exigida pelo apoio offshore.

Programa Mar Aberto conecta frota, indústria naval e eficiência energética
O Starnav Elektra é a primeira embarcação entregue no âmbito do Programa Mar Aberto, criado para renovar e expandir a frota utilizada pela Petrobras. O programa envolve novas contratações de embarcações de apoio e integra uma estratégia mais ampla de modernização da logística marítima ligada à produção de petróleo e gás.

Além da ampliação da frota, o Mar Aberto tem efeitos sobre a cadeia produtiva nacional. A construção do Elektra em Itajaí reforça a participação de estaleiros brasileiros em projetos de alto valor agregado e abre espaço para empregos, encomendas industriais e incorporação de tecnologias voltadas à eficiência e à redução de emissões.

Em outra frente associada à renovação naval, o BNDES anunciou financiamento de R$ 2,5 bilhões para oito novas embarcações da Starnav, entre PSVs e navios de resposta a derramamento de óleo, com motorização híbrida. O projeto foi apresentado com estimativa de redução de cerca de 18% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com a frota de referência e previsão de milhares de empregos diretos e indiretos.

A Petrobras também vem ampliando o número de embarcações incluídas no Mar Aberto. Fontes oficiais consultadas em 2026 mencionam a meta de alcançar 96 embarcações no programa e investimentos bilionários até 2030. Como há referências públicas a cronogramas distintos, o dado deve ser entendido como expansão planejada do portfólio, e não como garantia de que todas as unidades estarão entregues ou em operação já em 2027.

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