Foto: Molly Riley / Official White House

O texto vê uma "tendência de escalada de pressão sobre o Brasil" e alerta que "observa-se intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA" sobre o país, "sem ruptura de um padrão estrutural de influência já existente".
Citando documentos estratégicos do governo norte-americano divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026, a Abin afirma que os objetivos de Trump são a "redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense".
O relatório diz que o Brasil tem hoje um "governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica, ante as pressões estadunidenses por concessões e realinhamento geopolítico", e, por isso, teria virado alvo de pressões e retaliações norte-americanas em diversas frentes.
A agência brasileira destaca que as sanções práticas já realizadas pelos EUA contra o Brasil exemplificam o aumento da interferência americana. O documento cita o anúncio, em julho, de sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC.
"Com isso, a ação de interferência externa dos EUA passa a incidir diretamente sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição de terceiros a riscos de sanções secundárias", segue o relatório.
Os EUA, com isso, "ampliam o potencial de efeitos extraterritoriais sobre bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras". O Secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio também foi mencionado no relatório.
Nele, a Abin afirma que Rubio "atribuiu ao presidente brasileiro [Lula] a responsabilidade pela imposição de tarifas" contra produtos brasileiros, "sob o argumento de que o Brasil não teria 'negociado de boa fé'".
Para a agência, "a declaração insere caráter personalista à ação política estadunidense e tem potencial de impactar o debate púbico sobre o tema no Brasil, uma vez que a narrativa passou a ser reproduzida e amplificada por veículos de comunicação, agentes econômicos, analistas e atores políticos nacionais".
A revelação em torno do relatório da Abin ocorre dias após o jornal O Estado de São Paulo revelar que o governo de Donald Trump exigiu, em um documento enviado ao Itamaraty, que o Brasil permitisse que "dissidentes políticos" concorressem às eleições de 2026.
As fontes não disseram se Washington especificou quais seriam os "dissidentes políticos" em questão — no ano passado, no entanto, Donald Trump acusou o Brasil de "caça às bruxas" e mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em carta enviada a Lula.
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