> TABOCAS NOTICIAS : Sánchez diz que não aceitará resultado de eleição no Peru

.

.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Sánchez diz que não aceitará resultado de eleição no Peru

Partido de candidato esquerdista alega que processo eleitoral não apresenta o nível de transparência necessário para refletir a escolha do eleitorado
Sofia Pilagallo/sbt
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à presidência do Peru | Fotos: Reuters/Reuters
O Juntos por el Perú (Juntos pelo Peru), partido do candidato esquerdista Roberto Sánchez, afirmou que não reconhecerá o resultado final das eleições presidenciais do Peru. A legenda alega que o processo eleitoral não apresenta o nível de transparência necessário para refletir a escolha do eleitorado.

Com mais de de 99% das urnas apuradas, Sánchez aparece atrás da adversária, Keiko Fujimori, alinhada à extrema direita. A diferença entre os dois é de aproximadamente 35 mil votos, o equivalente a cerca de 0,2 ponto percentual. Apesar do estágio avançado da contagem, as autoridades eleitorais ainda não proclamaram oficialmente o vencedor da disputa.

Diante desse cenário, o partido convocou uma manifestação para a próxima quarta-feira (17), em Lima, além de novos atos ao longo da semana em diferentes localidades. Já no último sábado (13), coletivos, sindicatos e apoiadores do candidato de esquerda se reuniram na Praça San Martín, no centro da capital, e seguiram em marcha até a sede do Jurado Nacional de Eleições (JNE).

Um dia antes, na sexta-feira (12), Sánchez usou as redes sociais para defender a revisão das atas eleitorais. O candidato pediu a recontagem de todos os documentos que possam ser analisados dentro dos limites previstos pela legislação, argumentando que a pequena margem que o separa de Keiko justificava uma nova verificação dos registros.

Sánchez também fez um apelo público à adversária para que apoiasse o processo de revisão e recontagem dos votos. O vice da chapa de Keiko, Luis Galarreta, rejeitou a proposta logo após o convite. Dois dias depois, a própria candidata se manifestou e ressaltou que não apoiaria uma recontagem total dos votos.

Durante a apuração do segundo turno presidencial, o JEE informou que 1.595 atas eleitorais estavam sob análise por possíveis inconsistências. O número representa cerca de 1,7% das aproximadamente 92,7 mil atas registradas no processo eleitoral peruano. Novas atas poderão ser submetidas à recontagem caso o JNE considere necessário.

Embora o volume de atas questionadas seja pequeno em relação ao total do sistema eleitoral peruano, seu impacto pode ser relevante em uma disputa tão apertada. A expectativa é que o resultado oficial seja conhecido apenas em meados de julho, após a análise de recursos, contestações e eventuais recontagens apresentadas pelas campanhas.

A legislação peruana prevê a recontagem de votos em diferentes situações. Entre elas estão os casos em que o número de cédulas não coincide com o total de eleitores registrados na mesa; quando há divergências entre os votos registrados na ata e os encontrados na urna; ou quando impugnações apresentadas por partidos são aceitas pelas autoridades eleitorais.

Lentidão
A lentidão na divulgação dos resultados é uma característica recorrente das eleições peruanas. Diferentemente do Brasil, que utiliza urnas eletrônicas, o Peru adota cédulas de papel. Após o fim da votação, os votos são contados manualmente pelas mesas eleitorais, que também preenchem as atas antes do envio dos documentos para processamento pela ONPE.

Além da contagem manual, a apuração pode ser atrasada pela necessidade de revisar atas com inconsistências, erros de preenchimento ou questionamentos apresentados por fiscais e partidos políticos. O desafio é ainda maior em regiões remotas dos Andes e da Amazônia, onde o transporte do material eleitoral pode levar mais tempo.

A demora na apuração dos votos já havia sido observada no primeiro turno das eleições deste ano. O primeiro turno ocorreu em 12 de abril, mas o resultado oficial só foi declarado pelo órgão eleitoral máximo, o JNE (Jurado Nacional de Electores) mais de um mês depois, em 17 de maio.

A eleição presidencial de 2021, disputada entre Pedro Castillo e Keiko Fujimori, entrou para a história recente do Peru como a que levou mais tempo para ter um vencedor oficialmente proclamado. Embora o segundo turno tenha sido realizado em 6 de junho, o resultado só foi confirmado pelo Júri Nacional de Eleições (JNE) em 19 de julho, 43 dias após a votação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário