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sábado, 20 de junho de 2026

Pela primeira vez, homem com HIV recebe pulmão de doador também HIV positivo

Procedimento inédito realizado nos EUA amplia as possibilidades de transplante para pacientes HIV positivos e pode ajudar a reduzir a escassez de órgãos disponíveis
Um homem de 56 anos que vive com HIV (vírus da imunodeficiência humana) tornou-se a primeira pessoa do mundo a receber um transplante de pulmão retirado de um doador também HIV positivo. A cirurgia, considerada um marco na medicina de transplantes, foi feita em 21 de março por especialistas do centro médico NYU Langone Health, nos Estados Unidos, e pode abrir novas perspectivas para pacientes com HIV que necessitam de transplantes de órgãos em estágio avançado de doença. O anúncio do transplante aconteceu nesta sexta-feira (19).

O receptor foi Bertrand Nelson, morador de Nova Jersey que convive com o diagnóstico de HIV há mais de duas décadas. Ele recebeu simultaneamente dois pulmões (um deles do doador soropositivo) e um fígado de um doador falecido que também tinha o vírus. O procedimento foi bem-sucedido, e Nelson já retornou para casa após passar cerca de dois meses internado para recuperação.

Especialistas avaliam que a conquista pode ampliar significativamente o número de órgãos disponíveis para transplante. Até então, pessoas vivendo com HIV podiam receber órgãos de doadores sem o vírus, mas nunca havia sido realizado um transplante pulmonar entre dois indivíduos soropositivos. Em um cenário de escassez global de órgãos, a novidade representa uma potencial nova fonte de doações para pacientes que aguardam na fila para transplantes.

Avanço reflete mudanças no tratamento do HIV
Para especialistas, o caso representa décadas de avanços no tratamento da infecção pelo HIV. Graças aos medicamentos antirretrovirais, muitas pessoas conseguem manter a carga viral em níveis indetectáveis — ou seja, tão baixos que não são detectados pelos exames convencionais — e levam uma vida longa e saudável.

“É um marco por vários motivos”, afirma Sapna Mehta, diretora clínica do Instituto de Transplantes da NYU Langone e uma das responsáveis pelo protocolo que possibilitou o procedimento, em entrevista à revista Scientific American. “É uma verdadeira prova do quanto avançamos no tratamento de pacientes com HIV. Eles estão vivendo vidas longas e podem ser doadores de órgãos.” Mais no agenciaaids

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