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sexta-feira, 10 de abril de 2026

ISTs entre mulheres lésbicas ainda são cercadas por mitos, silêncio e negligência

Baixa testagem, invisibilidade nos serviços de saúde e falhas na informação ampliam riscos para mulheres que fazem sexo com mulheres — uma população ainda à margem das políticas públicas

A crença de que mulheres lésbicas estão fora do risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) persiste no imaginário social — e continua produzindo efeitos concretos, perigosos e silenciosos. Sustentada por desinformação histórica, lacunas na educação em saúde e pela invisibilidade dessa população nos serviços públicos, essa falsa ideia contribui diretamente para a baixa testagem, o diagnóstico tardio e a circulação não identificada de infecções.

“Sim, mulheres que fazem sexo com mulheres podem contrair ISTs”, afirma a infectologista Flavia Bartolleti. Infecções como HIV, sífilis, hepatites e HPV podem ser transmitidas em relações entre mulheres, assim como em qualquer outra prática sexual.

Apesar disso, o risco ainda é amplamente subestimado — inclusive dentro do próprio sistema de saúde. “Existe um imaginário de que, se não há penetração ou presença de um órgão sexual masculino, não há transmissão. Isso está ligado também à invisibilização das relações entre mulheres, como se não fossem consideradas sexo”, explica.

Essa percepção distorcida não apenas desinforma, mas também molda comportamentos — afastando mulheres de práticas básicas de cuidado e prevenção.

Desinformação alimenta baixa testagem e transmissão silenciosa
A falsa sensação de segurança impacta diretamente o autocuidado e o acesso aos serviços de saúde. Sem reconhecerem o risco, muitas mulheres deixam de realizar exames de rotina e de buscar acompanhamento médico regular.

“O principal problema é a falta de informação e esse mito de invulnerabilidade”, destaca a médica.

O resultado é um cenário propício à disseminação silenciosa das infecções. “Muitas ISTs não apresentam sintomas. A pessoa pode estar transmitindo sem saber”, afirma.

Dados de uma pesquisa conduzida pela Dra. Bartolleti com mais de 1.500 pessoas ajudam a dimensionar essa realidade. O estudo revela que cerca de 17% nunca realizaram testes rápidos para ISTs, como HIV, sífilis e hepatites. Mais na agenciaaids

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