Foto: Lula Marques/ Agência PT
Em 14 páginas de delação, o empresário revela, em detalhes, o encontro com Cunha para combinar como seriam os pagamentos realizados no exterior. Raul Pernambuco descreveu ainda uma reunião feita no Hotel Sofitel, no Rio, em 2011, época na qual houve a compra das Cepac’s pelo Fundo de Investimento do FGTS.“O depoente não estava presente, mas seu pai e um executivo da Carioca de nome Marcelo Macedo estiveram presentes a esta reunião; que após esta reunião, o depoente foi chamado pelo seu pai; que seu pai lhe comunicou que Léo Pinheiro, da OAS, e Benedicto Junior, da Odebrecht, na reunião do Hotel Sofitel, comunicaram que havia uma solicitação e um ‘compromisso’ com o deputado Eduardo Cunha, em razão da aquisição, pela FI-FGTS, da totalidade das CEPAC’s”, disse. “Que o valor destinado a Eduardo Cunha seria de 1,5% do valor total das Cepac’s, o que daria em tomo de R$ 52 milhões devidos pelo consórcio, sendo R$ 13 milhões a cota parte da Carioca; que este valor deveria ser pago a Eduardo Cunha em 36 parcelas mensais; que seu pai disse ao depoente que cada uma das empresas “assumiria” a sua parte diretamente com Eduardo Cunha", detalhou o empresário. O delator disse ainda que o primeiro pagamento, no Israel Discount Bank, aconteceu em 10 de agosto de 2011, no valor de US$ 220, 777. De acordo com delator, Marcelo Macedo não estava nesta conversa entre ele, seu pai e representantes da OAS e da Odebrecht.“Como cada empresa deveria acertar os valores diretamente com Eduardo Cunha, o pai do depoente pediu que este procurasse referido parlamentar para acertar os pagamentos; que o contato telefônico de Eduardo Cunha foi repassado ao depoente por Benedicto Junior, a pedido do depoente; que foi passado ao depoente um numero de rádio Nextel”, afirmou. O empresário disse ainda que por uma ou duas vezes, as contas no exterior eram enviadas por Eduardo Cunha para ele, em envelopes sigilosos, para a filial da Carioca, localizada em São Paulo. Os envelopes tinham dados da conta, além de códigos de transferência. A defesa de Cunha ainda não se manifestou. bn
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