
Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a escalada militar que envolve Irã, Israel, os Estados Unidos e diversos países do Golfo, uma outra crise cresce quase invisível na mesma região. O Oriente Médio vive hoje um paradoxo epidemiológico alarmante: apesar de registrar uma das menores prevalências de HIV do planeta, é uma das poucas partes do mundo onde as novas infecções continuam aumentando — em um cenário marcado por estigma, silêncio e profundas barreiras ao acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento.
Dados do Unaids mostram que o Oriente Médio e o Norte da África formam uma das poucas regiões do planeta onde a epidemia de HIV continua em expansão, contrariando a tendência global de queda nas novas infecções.
A situação se torna ainda mais preocupante em meio ao agravamento dos conflitos armados, que ameaçam sistemas de saúde, interrompem cadeias de medicamentos e deslocam populações inteiras — fatores historicamente associados ao agravamento de epidemias.
Uma epidemia pequena, mas em crescimento
Embora a prevalência média de HIV entre adultos no Oriente Médio permaneça baixa — cerca de 0,07% da população de 15 a 49 anos — os dados alertam que esse número esconde uma tendência preocupante.
Desde 2010, as novas infecções na região aumentaram significativamente, impulsionadas por uma combinação de fatores estruturais:
* estigma social intenso
* criminalização de populações-chave
* baixa cobertura de testagem
* acesso limitado à prevenção
* subnotificação de casos
Segundo o Unaids, cerca de 84% das novas infecções ocorrem entre populações-chave e seus parceiros, incluindo homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas que usam drogas.
Além disso, quase um quinto das novas infecções ocorre entre jovens de 15 a 24 anos, o que indica uma epidemia em expansão nas novas gerações. Leia tudo no agenciaaids
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