Muitas vezes negligenciada na rotina de fotoproteção, a boca exige atenção especial contra os danos do sol, alerta especialista do CEJAM

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos desse tipo de câncer, por ano. Além disso, o diagnóstico costuma ocorrer tardiamente, o que compromete as chances de cura e pode impactar nos resultados do tratamento.
A cirurgiã-dentista Lígia Gonzaga Fernandes, do CEO II Vera Cruz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim", explica que a exposição solar crônica sem proteção está diretamente ligada, principalmente, ao câncer de lábio inferior, região mais atingida pela radiação UV.
“A radiação ultravioleta provoca danos cumulativos no DNA das células ao longo dos anos, favorecendo mutações e alterações no controle da proliferação celular”, afirma a especialista. Segundo ela, o processo ocorre de maneira lenta e silenciosa. “O sol atua como um agente carcinogênico crônico. A célula vai acumulando danos até perder sua capacidade normal de controle e passar a replicar essas alterações”, diz.
Pessoas que trabalham diariamente ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis. Ainda assim, muitos desconhecem que mudanças aparentemente simples podem representar um sinal de alerta.
Ressecamento persistente, descamação, fissuras, crostas e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas estão entre os principais sintomas iniciais. A especialista destaca que nem sempre os sinais aparecem juntos e que a ausência de dor costuma atrasar a busca por atendimento. “Muitas vezes o paciente espera sentir dor para procurar ajuda, mas essas lesões podem evoluir sem provocar desconforto”, explica.








































