Trump elogiou Lula na abertura da Assembléia Geral da ONU, anunciou reunião para semana que vem. Direita e esquerda divergem sobre os motivos
Fotos: Timothy A. Clary/AFP/Mike Seggar/Reuters
O mundo assistiu chocado a fala do presidente dos Estados Unidos. Com todas as letras, Trump elogiou Lula, o presidente brasileiro, na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça, 23, nos Estados Unidos.
Rinaldo de Oliveira - SNB
Minutos após Lula discursar e defender a soberania brasileira, Trump afirmou que abraçou o presidente brasileiro nos bastidores e disse rolou “uma química excelente” entre os dois.
“Eu o vi, ele me viu e nós nos abraçamos. Ele pareceu ser um homem muito legal, na verdade. Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto”, afirmou Trump no discurso na tribuna.
A esperada reunião
E a tão esperada reunião para resolver a taxação de 50% dos Estados Unidos aos produtos brasileiros, que tantos políticos e empresários tentaram e não conseguiram marcar com o governo dos Estados Unidos, agora finamente vai sair.
Trump cravou que será na semana que vem.
“Nós concordamos que nos encontraremos na próxima semana. Não tivemos muito tempo para conversar, uns 20 segundos”, afirmou Donald Trump.
Sem descer do salto
Mantendo a usual arrogância e prepotência, Trump disse, após acariciar Lula, que “o Brasil está indo mal” e que só irá melhorar se trabalhar com os Estados Unidos.
“Eles só conseguirão se sair bem quando trabalharem conosco; sem nós, eles fracassarão, assim como outros fracassaram”, afirmou o presidente dos EUA.
Trump alegou que no passado o Brasil impôs “tarifas injustas” contra os EUA e disse que sempre defenderá a soberania nacional e direitos dos cidadãos norte-americanos.
Lula negou
Minutos antes, na mesma tribuna, Lula negou essas acusações e ressaltou que os EUA possuem superávit no comércio entre os dois países.
Falou também, sem citar diretamente Trump, que as medidas tomadas contra o Brasil não têm justificativa
“Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou o presidente brasileiro.
Análise da direita e da esquerda
Políticos de direita encararam a atitude de Trump como jogada de mestre, ou seja, que ele teria recuado agora para bater lá na frente.
Já parlamentares de esquerda, que apoiam Lula, viram o discurso de Trump como uma sinalização de abertura para o diálogo.