Senador vinha sendo pressionado por aliados a abrir mão do cargo após ser alvo da PF por suspeita de envolvimento com Vorcaro e o Master
SBT News
O senador Jaques Wagner (PT-BA) | Agência Senado

Desde então, o senador vinha sendo pressionado por aliados da base governista a deixar a função, sobretudo depois de uma entrevista à Band News considerada pouco elucidativa e com exposição desnecessária de Lula. Um encontro entre Lula e Wagner nesta quarta-feira (24), no Palácio da Alvorada, formalizou o afastamento do senador. "Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no @SenadoFederal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador @Jeronimoba13, além da minha reeleição junto com @costa_rui para o Senado", escreveu Wagner nas redes sociais.
A saída abre caminho para o Planalto escolher outro nome para o Senado, em um momento em que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mantêm relação distante. Muito próximo de Wagner, Alcolumbre fez uma defesa enfática do colega e de sua presunção de inocência. O senador petista era um dos que tentava reaproximar Lula de Alcolumbre, de olho no destravamento de pautas de interesse do governo que estão paradas na mão do Senado, incluindo a PEC que acaba com a escala 6x1.
Os principais cotados para a vaga da liderança agora são Teresa Leitão (PT-PE), atual líder do PT no Senado, e Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará.
Investigações contra Wagner
A Polícia Federal aponta que Jaques Wagner recebeu benefícios de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, enquanto mantinha interlocuções com ele sobre pautas de interesse da instituição financeira. A investigação cita a compra de ingressos para familiares do parlamentar em um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o uso de jatinhos sem custos. Em buscas em endereços ligados ao líder do governo em Brasília e na Bahia, a PF apreendeu US$ 55 mil (cerca de R$ 282 mil) e € 33.500 (cerca de R$ 197 mil).
Em sua defesa, Wagner disse os valores eram referentes às diárias recebidas do Senado para missões no exterior e também recursos próprios que ele teria sacado para viagens particulares. Em relação ao apartamento, disse que tinha um acordo com Augusto Lima para ajudá-lo a comprar o imóvel na planta para pagamento posterior.
Advogados do senador dizem que ele jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Master. “Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco”, ressaltou Pablo Domingues, que chefia a equipe jurídica de Wagner.
A defesa também entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a operação de busca e apreensão em residências do senador alegando nulidades que comprometem a validade da medida.
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