Resolução aprovada pela casa legislativa determina que Trump obtenha autorização para manter operações militares no país persa

Aprovação de Trump cai para 35% após perda de apoio entre republicanos, aponta pesquisa Reuters/Ipsos | REUTERS/Evan Vucci
O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta terça-feira (23), uma resolução que determina que o presidente Donald Trump obtenha autorização do Congresso para manter operações militares no Irã. A proposta passou por 50 votos a 48 e foi interpretada como uma rara demonstração de autonomia do Legislativo em relação à Casa Branca.
Embora não tenha força de lei e não deva provocar mudanças imediatas na condução do conflito, a medida foi vista como uma das críticas mais relevantes já feitas pelo Congresso à estratégia militar adotada por Trump. Parlamentares afirmam que o texto tem peso político, mesmo sem efeito jurídico direto.
O resultado teve apoio bipartidário. Quatro senadores republicanos se juntaram aos democratas na votação, sinalizando um desconforto crescente dentro da própria base do presidente e expondo tensões internas no Partido Republicano em relação à condução da política externa.
A medida já havia sido anteriormente aprovada pela Câmara dos Representantes, por 215 votos a 208. A deliberação, realizada em 3 de junho, também teve apoio de uma minoria de republicanos, que se juntaram aos democratas na tentativa de restringir os poderes de guerra do presidente.
O cenário político se desenrolou em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade do cessar-fogo anunciado recentemente entre EUA e Irã. Apesar da redução das hostilidades após o acordo, cerca de 50 mil militares americanos seguem posicionados no Oriente Médio, o que mantém o nível de alerta na região.
Entre os republicanos contrários à proposta, a iniciativa foi minimizada. O senador Jim Risch, presidente da Comissão de Relações Exteriores, afirmou que a resolução não terá efeito prático e que Trump não deve dar atenção ao texto. Segundo ele, trata-se de um gesto simbólico sem impacto na condução da guerra.
Já os democratas comemoraram a aprovação da medida, que formaliza a oposição do Congresso à decisão de Trump de iniciar a guerra sem autorização legislativa. O partido argumenta que a ação viola uma prerrogativa constitucional do Legislativo e reduz sua participação em decisões sobre conflitos armados.
Esta foi a primeira vez desde a aprovação da Lei dos Poderes de Guerra, em 1973, que as duas Casas do Congresso aprovaram uma resolução conjunta orientando um presidente a encerrar uma ação militar. A legislação foi criada após a Guerra do Vietnã justamente para ampliar o controle do Congresso sobre decisões de guerra, reforçando o papel do Legislativo nesse tipo de decisão.
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