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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Abuso infantil: a dor silenciosa que destrói milhares de infâncias no Brasil

Especialista explica por que tantas crianças sofrem caladas e o que adultos podem fazer para interromper esse ciclo de violência no Brasil
Abuso infantil: a dor silenciosa que destrói milhares de infâncias no Brasil | Reprodução/Magnific
Brazil Health
Imagine você com cinco anos. Pense na sensação de estar em um balanço, sentindo o vento no rosto enquanto o movimento de ir e vir te dá, por alguns segundos, a impressão de que é possível voar. Você cria coragem, impulsiona o balanço com mais força, o coração acelera, o frio na barriga aumenta. Fecha os olhos para sentir tudo por inteiro. Abre-os novamente e pede para sua mãe empurrar mais alto, porque descobriu que é corajoso o suficiente para sentir o vento ainda mais forte.

Agora tente lembrar do cheiro do almoço quando chegava da escola. Do aconchego dos lençóis. Da segurança de estar protegido durante uma tempestade. Da certeza de que, se alguém te ameaçasse na escola, seu pai estaria lá na saída. Da bronca que vinha quando você fazia algo errado – não como violência, mas como orientação, como limite, como amor.

Se essas memórias te trazem saudade e calor no peito, é porque você cresceu em um ambiente emocionalmente seguro. Você foi uma criança que pôde viver, não apenas sobreviver. Mas essa não é a realidade de todas as crianças.

Quando a casa deixa de ser abrigo
Para muitas crianças, voltar da escola não é sinônimo de proteção. É medo. É silêncio. É sobrevivência.

O corpo frágil, que deveria ser cuidado, é violado. A inocência, que deveria ser preservada, é roubada. E o agressor, quase sempre, não é um estranho.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em 2023 o Disque 100 registrou mais de 17 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes. E esse número representa apenas a superfície: estudos indicam que apenas 7% a 10% dos casos chegam a ser denunciados.

O dado mais assustador é também o mais revelador: em mais de 70% dos casos, o agressor é alguém da família ou do convívio próximo.

O lugar que deveria ser o mais seguro do mundo é, para muitas crianças, o cenário do maior pesadelo de suas vidas. Mais no sbtnews

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