Julgamento foi encerrado na noite desta terça-feira (14); penas vão de 29 a 40 anos de prisão
Foto: Conaq/Divulgação

Por: Metro1
Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou dois acusados pela morte da ialorixá Mãe Bernadete, executada a tiros dentro do próprio terreiro onde morava, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, em agosto de 2023.
Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos receberam a pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão e 29 anos e 9 meses de prisão, respectivamente. Ambos ficarão detidos em regime fechado.
O julgamento dos acusados foi encerrado na noite desta terça-feira (14), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A sessão entrou na fase de debates entre acusação e defesa, após o primeiro dia de júri reunir depoimentos e avançar na apuração do crime.
Neste segundo dia, o plenário passou a acompanhar as alegações da defesa, com momentos de réplica e tréplica entre as partes. A sessão, iniciada por volta das 8h, seguiu ao longo do dia, com previsão de encerramento no início da noite, por volta das 19h.
Durante o segundo dia de julgamento, o filho da líder quilombola, Jurandir Pacífico, rebateu a tese de que não havia intenção de execução. “Foram para dar um susto na minha mãe e deram 25 tiros. Imagina se fosse para matar?”, afirmou. Ele também criticou a estratégia da defesa e apontou contradições. “Observamos mentiras. Dizem que foram dar um susto, mas foram 25 tiros, sendo 12 no rosto e 13 no tórax. Que tipo de susto é esse?”, completou.
A declaração confronta a versão apresentada por Arielson da Conceição Santos, que confessou participação no crime, mas alegou que a intenção do grupo era apenas intimidar a vítima. Durante o plenário, ele voltou a sustentar essa versão e atribuiu o excesso de disparos de 25 tiros ao traficante conhecido como “BZ”, que será julgado em outro momento.
Arielson é apontado como executor do crime, enquanto Marílio dos Santos é identificado como mandante e segue foragido, sendo representado por advogado no julgamento. Ambos respondem por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, crueldade e uso de arma de uso restrito. De acordo com o Ministério Público da Bahia, os dois teriam ligação com uma facção criminosa.
Outros três suspeitos também foram denunciados – José Vande Onizio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Idnei Carlos dos Santos de Jesus –, mas ainda não há data definida para seus julgamentos.
Na segunda-feira (13), primeiro dia do júri, três testemunhas foram ouvidas e o próprio Arielson confirmou envolvimento no assassinato.
Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, com 25 tiros. Mesmo integrando um programa de proteção a defensores de direitos humanos, ela havia denunciado a atuação de grupos criminosos na região. O caso é considerado um dos mais emblemáticos da violência contra lideranças quilombolas no país.
Além do andamento do júri, a família organiza uma homenagem à líder quilombola. No próximo sábado (19), data em que Mãe Bernadete completaria 75 anos, será realizada uma programação na comunidade Quilombo Pitanga dos Palmares, com missa, encontro com líderes do governo, feira de agricultura familiar e apresentações culturais.
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