Um homem morreu e outro se recupera após internação; Vigilância Sanitária investiga possível contaminação alimentar e descarta surto
Foto: reprodução/Freepik

Um homem, que prefere não se identificar, relata que se recupera em casa após dias de agravamento dos sintomas. Em vídeo, ele descreve febre alta, dores intensas, cansaço, fadiga e dor de cabeça. Segundo o paciente, o diagnóstico foi confirmado somente após quase duas semanas, no Instituto Evandro Chagas. Ele chegou a ser internado em uma UTI, onde permaneceu por três dias.
O homem acredita ter sido infectado após consumir açaí comprado em um ponto de venda na Cidade Nova Seis, em Ananindeua. A equipe de reportagem do SBT esteve no endereço indicado e encontrou o estabelecimento fechado.
No bairro do Icuí-Guajará, também em Ananindeua, um jovem de 26 anos morreu no último sábado (3). De acordo com familiares, Ronald Maia estava internado havia sete dias com diagnóstico de doença de Chagas.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha o caso, mas não confirma a existência de um surto. Segundo a pasta, equipes da Vigilância Sanitária realizaram vistorias e análises técnicas em estabelecimentos de venda de açaí e, de forma preventiva, interditaram os locais até a conclusão das investigações.
A doença de Chagas é transmitida pelo inseto conhecido como barbeiro. A infecção pode ocorrer quando fezes do inseto entram em contato com feridas na pele, por transfusão de sangue ou por ingestão de alimentos contaminados, como o açaí, em casos de preparo inadequado. No Pará, a enfermidade é considerada endêmica.
O virologista Caio Botelho explica que a doença possui uma fase aguda, quando o parasita pode ser identificado em exame de sangue. Em seguida, evolui para a fase crônica, que pode comprometer o esôfago, o cólon e o coração. Nessa etapa, segundo o especialista, o tratamento antiparasitário perde eficácia.
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