No mês da saúde mental, psicólogo alerta para vício de dopamina instantânea e perda de controle emocional
Psicólogo Leonardo Teixeira, que atende vícios comportamentais, explica esse movimento


Psicólogo aponta que estímulos digitais, apostas e compras rápidas criam padrão silencioso de dependência emocional no Brasil; entenda
Com a chegada do Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, especialistas chamam atenção para a dependência de estímulos rápidos. Apostas online, pornografia, rolagem infinita no celular, compras por impulso, jogos digitais e até o consumo compulsivo de notícias formam um padrão comum, sustentado pela busca incessante por dopamina instantânea.
Segundo o psicólogo clínico Leonardo Teixeira, especialista em comportamentos compulsivos, estamos diante de um novo tipo de vício, menos visível que o álcool ou as drogas, mas igualmente perigoso.
"As pessoas não estão viciadas em apostas ou em pornografia. Elas estão viciadas no alívio rápido que esses estímulos oferecem. O vício hoje é na dopamina instantânea. É uma fuga emocional travestida de entretenimento", explica Teixeira.
Quando o alívio vira prisão silenciosa
Em um cenário de estresse financeiro, cansaço emocional, excesso de responsabilidades e permanente comparação social, o cérebro fica mais vulnerável à promessa de recompensa imediata. Essa combinação, segundo Teixeira, transforma comportamentos comuns em mecanismos de sobrevivência emocional, que rapidamente escapam do controle.
"O problema não é a tela, a compra ou o jogo. O problema é o momento em que a pessoa percebe que não consegue mais parar. Ela se sente cansada, frustrada, culpada, e busca exatamente o mesmo estímulo para anestesiar essa dor. É um ciclo que se retroalimenta", afirma.
Para o psicólogo, a lógica é sempre a mesma: alívio rápido + arrependimento + necessidade crescente de estímulo.
"A dopamina não é sobre prazer. É sobre expectativa. O cérebro não fica viciado no que a pessoa ganha, mas no que ela imagina que poderá ganhar. Esse é o motor de quase todos os comportamentos compulsivos de hoje", completa.
Por que janeiro é um mês tão vulnerável?
O início do ano combina uma série de fatores emocionais que deixam as pessoas mais frágeis:
balanço de erros e promessas não cumpridas;
pressão para “recomeçar”;
estresse financeiro pós-festas;
solidão e comparação social;
cansaço acumulado;
sensação de vazio após semanas de hiperestimulação.
Teixeira explica que essa é a fórmula perfeita para recaídas. "Janeiro é o mês da ressaca emocional. Menos estímulos, mais silêncio, mais cobrança interna. Quando a mente desacelera, aparece tudo o que a pessoa tentou evitar no fim do ano. E é aí que a compulsão bate mais forte", analisa.
Dopamina fácil e tolerância alta
A facilidade de acesso - tudo ao alcance de um clique - impulsiona o aumento de dependências comportamentais.
Segundo o especialista, o alerta principal não é sobre o crescimento de apostas ou pornografia, mas sobre a queda da tolerância ao desconforto.
"As pessoas perderam a habilidade de lidar com tédio, frustração, silêncio e espera. Basta um incômodo e já buscamos anestesia. Esse padrão deixa o cérebro mais impaciente, mais impulsivo e mais vulnerável a vícios", alerta Teixeira.
Teixeira destaca sinais que merecem atenção:aumento progressivo do tempo ou do dinheiro gasto em estímulos digitais;
irritação ou ansiedade quando não consegue acessar o comportamento;
sensação de perda de controle;
promessas frequentes de “parar” ou “diminuir”;
queda de produtividade, sono prejudicado e isolamento;
uso repetido do comportamento para fugir de emoções difíceis.
"Quando o estímulo passa a decidir pela pessoa, e não o contrário, já estamos falando de dependência", reforça.
Como buscar ajuda
Para o psicólogo, o tratamento precisa ser visto sem tabu:
psicoterapia especializada em vícios comportamentais;
CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) para atendimentos gratuitos;
grupos de apoio presenciais e online;
limites de uso em aplicativos;
estratégias de prevenção de recaída e rotinas mais equilibradas.
"Vergonha só atrasa o tratamento. O que as pessoas chamam de fraqueza, a ciência chama de transtorno. E o transtorno tem tratamento", conclui.
Quem é Leonardo Teixeira?
É psicólogo clínico, especializado no tratamento do vício em apostas, com mais de nove anos de experiência na área. Criador do Programa Cartada Final, já ajudou dezenas de pessoas a romperem o ciclo da compulsão, reconstruírem sua autoestima e retomarem o controle da vida familiar e financeira.
Formado em Psicologia pela Universidade do Contestado (SC) e pós-graduado em Psicologia do Esporte, Leonardo também é especialista em Gestalt-terapia, o que lhe garante uma abordagem integrativa e humanista para lidar com os desafios complexos da dependência.
Reconhecido como referência no tema, é criador do maior canal sobre vício em apostas, com mais de 110 mil seguidores, impactando milhares de famílias com informações, reflexões e ferramentas práticas para prevenção e tratamento. Sua atuação une ciência e prática clínica, o consolida como um dos principais especialistas do Brasil no combate ao vício em apostas.
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