Fabricantes de veículos alertam para risco de falta de semicondutores; escassez pode encarecer carros e causar demissões
Flavia Travassos - SBT

A tensão começou depois que o governo holandês assumiu o controle de uma gigante de semicondutores sediada no país, mas pertencente a um grupo chinês. Em resposta, Pequim impôs restrições à exportação desses componentes — essenciais para a indústria automotiva. Cada carro pode conter de mil a três mil chips, responsáveis por funções como sensores de aproximação.
O impacto é sentido principalmente na Europa, mas também preocupa o Brasil: cerca de metade dos veículos produzidos no país utiliza semicondutores chineses. Segundo o consultor automotivo Milad Neto, da K.Lume, a escassez pode provocar efeito dominó. "Vai acabar o estoque das montadoras, vai faltar veículo. A demanda vai continuar, mas sem oferta, o preço dos seminovos vai subir”, explica.
Nas concessionárias e entre os consumidores, a incerteza já afeta as decisões de compra. O empresário Gabriel Pimentel e a esposa, Luana, decidiram adiantar o sonho do carro novo. “O carro seminovo tem aumentado de preço. Agora pode subir ainda mais. Então, resolvemos aproveitar a oportunidade”, diz Gabriel.
Especialistas alertam que, se a crise se prolongar, montadoras brasileiras podem suspender temporariamente a produção, o que traria consequências para toda a cadeia produtiva.
“Há risco de desemprego, de desabastecimento e de retração nos investimentos. Isso preocupa muito o mercado automotivo nacional”, afirma Milad Neto.
O setor automobilístico representa cerca de 20% do PIB industrial e 2,5% do PIB total do país.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças) informou já observar queda significativa na oferta de chips nas últimas semanas. Em uma carta enviada ao vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, a entidade pediu apoio do governo federal para garantir o fornecimento de semicondutores e manter a estabilidade da cadeia produtiva. A Anfavea também solicitou ajuda.
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