Apesar da falta de consenso, a votação do piso nacional para os agentes comunitários de saúde (PL 7495/06) é uma das prioridades da Câmara dos Deputados para 2014.
Uma comissão especial aprovou um aumento progressivo do piso, até chegar a dois salários mínimos em 2015. Hoje, a categoria recebe uma parte dos R$ 950,00 repassados aos municípios pelo governo federal, conforme explica Ruth Brilhante de Souza, agente comunitária de saúde há 20 anos.
No último mês de outubro, um embate sobre o piso dos agentes de saúde durou cerca de quatro horas no Plenário, e a proposta não foi votada. O governo queria adiar a votação do projeto e tentar um texto de consenso, mas alguns partidos da base e da oposição insistiam em votar o projeto naquela noite. A presidente da República, Dilma Rousseff, se diz preocupada com o aumento do piso, que, segundo afirma, estaria em desacordo com o que seria possível para o governo custear. O líder do Governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, já chegou a declarar que o projeto será vetado pela presidenta Dilma caso seja aprovado como está, ou seja, dois salários mínimos até o ano que vem.
Para o líder do PT, José Guimarães, ainda há chance de se chegar a um valor que preserve os interesses tanto do governo quanto da categoria.
"Nós precisamos dialogar com eles que também fazem a saúde pública no Brasil. Não pode também fazer de conta que o problema não existe. Ele existe, é real e nós temos que buscar uma solução."
Em reunião no início de dezembro com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o presidente da Câmara, Henrique Alves, negociou o adiamento da votação do piso nacional dos agentes de saúde para 2014, caso o governo retirasse a urgência de projetos que trancavam a pauta do Plenário. Segundo Alves, já há acordo para votação da proposta no próximo mês de março.
Atualmente, o País conta com mais de 300 mil agentes comunitários de saúde. Eles são responsáveis pela visita mensal a 65% dos domicílos, o equivalente a 125 milhões de habitantes. Entre as ações desses profissionais estão o acompanhamento de gestantes, incentivo ao aleitamento materno, controle de doenças como infecção respiratória aguda e promoção das ações de saneamento e melhoria do meio ambiente.
Fonte: Câmara dos Deputados/Nossa José da Penha
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