As telas estão destruindo a infância e o futuro das crianças
StockSnap/Pixabay

Com o tema “Tecnologia, bem-estar e infância: Reconstruindo ambientes saudáveis”, o evento celebrou uma década de atuação na promoção de habilidades emocionais em mais de 500 mil alunos brasileiros. (Saiba mais no fim do texto).
Diante de uma plateia de quase 2 mil pessoas, entre educadores, mães e pais, Jonathan Haidt foi duro em sua palestra sobre os problemas causados pelo uso excessivo de telas na infância e adolescência. Ele também apresentou um conjunto de dicas para evitar a destruição do futuro dos jovens hiperconectados. Segundo ele, o mundo passa por uma “epidemia silenciosa”.
“É uma tragédia em 2 atos. Primeiro, perdemos a infância que era baseada em brincadeira, em liberdade. Crianças precisam abraçar seus amigos, sentir e interagir. E isso acaba quando surgem os smartphones”, disse Haidt.
“A infância baseada em brincadeiras ao ar livre foi substituída por uma infância confinada em ambientes controlados e hiperconectados”, comentou o especialista.
Principais problemas do excesso de telas, segundo Jonathan Haidt:
Aumento de casos de ansiedade, depressão e automutilação;
Irritabilidade e desregulação emocional;
Problemas de visão;
Distúrbios do sono;
Sedentarismo e obesidade;
Déficit de atenção e memória;
Atraso na linguagem;
Isolamento e convívio precário;
Exposição a riscos virtuais;
Vício em dopamina;
Queda no desempenho escolar;
Analfabetismo funcional.
Falta de exposição ao mundo real
De acordo com os estudos apresentados, o aumento do uso de celulares por crianças e adolescentes é inversamente proporcional ao tempo gasto com amigos.
Jovens de 15 a 24 anos experimentaram uma queda muito mais acentuada no tempo com amigos fora da escola do que as gerações anteriores, segundo um painel apresentado por Haidt.
Outro dado que mostra a mudança de comportamento entre gerações é a liberdade oferecida pelos pais.
Haidt afirmou que as gerações nascidas entre as décadas de 1960 e 1990 tinham maior autonomia para realizar tarefas sem supervisão. Já os nascidos após 1995 foram perdendo gradativamente essa exposição ao mundo real.
“O computador e a internet surgem na década de 1990 com mais força, depois os smartphones a partir de 2005. Aqui nesse momento começa a infância baseada no telefone. E foi onde a saúde mental dos adolescentes piorou muito rapidamente”, explica o psicólogo.
“Entre 2000 e 2010, o telefone celular servia só para ligar, pequenas mensagens de texto e jogar o jogo da cobrinha. Agora a geração Z provavelmente ganhou um smartphone com 12 anos, entrou no Facebook e passou a ser bombardeada por estímulos. O jovem virou o produto e está sendo vendido por publicitários”, complementa.
“Na minha época, se um ET viesse para a Terra, você o colocava numa bicicleta e ia andar por aí com seus amigos. Hoje não”, provoca Jonathan, em referência ao clássico filme de Spielberg.
Geração limitada

“Os telefones estão tornando os nossos alunos mais burros. As notas caíram a partir de 2020. Todos falaram: ‘Olha o que a Covid causou.’ Mas não foi a Covid, foi o maior tempo em telas. A humanidade está cada vez mais burra, ao mesmo tempo que as máquinas estão mais inteligentes”, alertou.
“Os estudantes têm muita dificuldade para ler um livro. Eles dizem: ‘Não tem luz, nada se movimenta, são só palavras.” Uma aluna minha disse assim: ‘u leio uma frase fico entediada e vou para o TikTok'”, relatou Haidt.
Segundo ele, as dificuldades intelectuais também afetam os adultos, mas o impacto é mais grave nos jovens, por conta do período de formação cerebral.
“O que acontece é que a capacidade de ler e responder perguntas vai caindo. É o analfabetismo funcional. Muitos adultos não conseguem ler 3 ou 4 páginas sem ter que ir para uma rede, ver e-mails, responder mensagens”, ressaltou.
“É uma dificuldade de ficar concentrado e pensar. Se todas as gerações acham difícil pensar, as implicações são muito mais difíceis para os jovens. É grave”, reforçou.
Aumento de casos de suicídios
Desde 2010, coincidindo com a popularização dos smartphones, os índices de ansiedade, depressão e automutilação entre adolescentes dispararam globalmente.










































