
Lorena Fassina / SNB
Ana Clara, Jarson Gabriel e João Ryan desenvolveram pavers com casca de castanha de caju na EREM Gil Rodrigues, em Vertentes (PE). - Foto: Divulgação/Samsung
Três alunos de uma escola pública de Vertentes, no Agreste de Pernambuco, encontraram uma nova utilidade para um resíduo comum na região: a casca da castanha de caju. Ana Clara Tomás Bezerra, Jarson Gabriel da Silva Vieira e João Ryan Andrade Deniz criaram um piso sustentável com casca de castanha e chegaram à semifinal de uma competição nacional.
Os estudantes estão no 2º ano do ensino médio da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Gil Rodrigues. O projeto, chamado “Pavers Sustentáveis a partir da Casca de Castanha de Caju”, está entre os 30 semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow.
A ideia surgiu de um problema que os próprios alunos observaram na região. A produção de castanha gera grande quantidade de cascas, que podem acabar descartadas de forma inadequada e causar impactos no solo.
Casca virou matéria-prima
Orientados pelo professor João Paulo da Silva, os estudantes visitaram comunidades e conversaram com trabalhadores ligados à produção da castanha para entender melhor o problema. Foi então que começaram a testar a casca triturada como parte da composição de pavers, peças usadas na pavimentação de calçadas, praças e outras áreas externas.
“Temos uma produção acentuada de castanha de caju na região e percebemos o impacto que o descarte da casca pode causar no solo”, explicou o professor João Paulo.
A equipe passou a desenvolver diferentes misturas para avaliar resistência, peso, formato e acabamento. Uma das propostas estudadas é produzir as peças sem o uso de forno tradicional, utilizando a exposição ao sol durante parte do processo para chegar a um piso sustentável com casca de castanha que seja mais leve, econômico e possa aproveitar um material que antes seria descartado.
Projeto pode sair da escola
O trabalho ainda está em fase de testes. Amostras dos pavers foram enviadas para instituições parceiras, entre elas a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para análises das características e da eficiência do material.
Os alunos também querem usar os primeiros protótipos em uma calçada da própria escola. A equipe chegou a desenvolver uma proposta visual para uma praça que poderia receber as peças. E a pesquisa acabou indo além do piso. Depois das conversas com produtores locais, estudantes e professor elaboraram uma proposta de projeto de lei voltada ao fortalecimento dos pequenos produtores e ao apoio tecnológico para quem trabalha com a castanha na região.
“Estamos fazendo os testes de resistência e planejando aplicar os pavers em uma calçada da própria escola. A ideia é que esse pequeno espaço seja uma demonstração de que a pesquisa pode sair da escola e chegar à comunidade”, contou João Paulo.
Entre os 30 semifinalistas
O projeto colocou a escola pernambucana entre as 30 equipes semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026, iniciativa voltada a estudantes e professores da rede pública. Mais no sonoticiaboa
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