Surto que atinge o país é o segundo mais letal já registrado no mundo, ultrapassando a marca de 3.900 mortes
André de Sena, com informações da Reuters
Enfermeiro do centro de tratamento de Ebola de Kitatumba na República Democrática do Congo | Gradel Muyisa Mumbere/Reuters

A epidemia de Ebola que afeta a República Democrática do Congo chegou à marca de 8.067 casos confirmados, segundo dados divulgados pelo governo nesta segunda-feira (28). As mortes chegam a 3.901 casos.
O surto, causado pela cepa Bundibugyo, é o maior da história do Congo e o segundo mais letal já registrado no mundo, ficando atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental, principalmente países como Guiné, Libéria e Serra Leoa, entre 2014 e 2016. Na ocasião, 28,6 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.
Na sexta-feira (25), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o vírus havia se espalhado para mais duas zonas de saúde dentro do Congo: Bulu, na província de Sud Ubangi, e Dungu, na província de Haut-Uele, que faz fronteira com o Sudão do Sul.
A região leste do país é palco de um conflito armado entre o grupo rebelde M23 e o exército congolês. De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esse cenário dificulta o acesso dos profissionais de saúde às comunidades afetadas e o rastreamento de pessoas que possam ter sido expostas ao vírus.
“É muito difícil analisar o Ebola isoladamente, pois até mesmo nossa resposta à doença é afetada pelo conflito, devido aos deslocamentos e aos problemas de acesso a algumas áreas”, disse Tedros.
Segundo ele, a falta de vacinas e tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo também dificulta a resposta das autoridades e pode tornar as pessoas relutantes em procurar atendimento médico. O diretor-geral acrescentou que a OMS trabalha para acelerar os ensaios clínicos de vacinas e tratamentos.
O diretor-geral descartou que o surto de Ebola, que já é considerado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, evolua para uma pandemia, mas ressaltou que os países precisam se preparar para esse tipo de cenário.
“O Ebola não será uma pandemia, mas pode surgir um patógeno respiratório capaz de se tornar uma pandemia”, explicou. “Antes que isso aconteça, precisamos nos preparar.”
Em maio de 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou o Acordo sobre Pandemias, com o objetivo de fortalecer a prevenção e a resposta global a futuras pandemias.
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