
Lorena Fassina / SNB
A advogada e professora Fabi Diniz de Queiroz Pilate tomou posse como a primeira promotora trans do Brasil, no Amazonas. - Foto: MPAM
A primeira promotora trans do Brasil acaba de escrever um capítulo histórico na Justiça brasileira. A advogada e professora Fabi Diniz de Queiroz Pilate tomou posse, nesta sexta-feira (31), como promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e mostrou como oportunidade e educação podem mudar a vida de alguém.
Durante a cerimônia na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Manaus, a procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Nascimento Albuquerque, ressaltou que, em um país onde pessoas trans ainda enfrentam violência e discriminação, a chegada de Fabi ao Ministério Público envia “uma mensagem potente de esperança, de superação e de justiça restaurativa”.
A nova procuradora falou sobre diversidade: “A presença de uma promotora de Justiça trans significa que o Ministério Público começa, ainda que de maneira incipiente, a refletir em sua composição a pluralidade da sociedade brasileira”, afirmou Fabi. “Instituições democráticas se fortalecem quando conseguem representar, não apenas em sua atuação, mas também em sua própria formação, a diversidade do povo.” Assista ao vídeo abaixo.
Um marco para a Justiça
Um dos momentos mais emocionantes da solenidade aconteceu quando ela recebeu a toga das mãos do marido, pouco antes de fazer o compromisso oficial com a instituição.
E recebeu os cumprimentos da procuradora-geral de Justiça: “A sua conquista transcende a vitória pessoal e o mérito individual”, afirmou. Segundo Leda Mara, a posse representa a concretização dos princípios da Constituição de 1988 e demonstra que a promessa de igualdade prevista na Carta Magna pode se transformar em realidade.
Além de Fabi, outros quatro promotores aprovados em concurso público também foram empossados.
Carreira construída na educação e no Direito
Antes de ingressar no Ministério Público do Amazonas, Fabi construiu uma sólida trajetória acadêmica. Ela é professora do curso de Direito da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e especialista em Direito Constitucional e Psicologia Jurídica pela PUC Minas.
Apesar do significado histórico da posse, ela afirma que deseja ser reconhecida principalmente pela atuação profissional.
“Quero ser reconhecida pela qualidade técnica, pela independência funcional e pelo compromisso com a ordem jurídica”, afirmou. Segundo Fabi, seu trabalho no Ministério Público será voltado à missão constitucional da instituição e não apenas às pautas relacionadas à população trans.
Representatividade que abre caminhos
Para a nova promotora, ocupar esse espaço também significa ampliar a representatividade dentro das instituições públicas e fortalecer a democracia.
Ela acredita que a diversidade contribui para aproximar o sistema de Justiça da realidade da população brasileira e reforça a importância de garantir igualdade de oportunidades para todos.
Com a posse de Fabi Diniz de Queiroz Pilate, o Ministério Público brasileiro registra um marco inédito na história, abrindo caminho para que outras pessoas também possam ocupar espaços de liderança e contribuir para uma Justiça cada vez mais plural. Mais no sonoticiaboa
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