Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) planejava realizar ataques contra prédios públicos em Brasília durante as eleições de 2026
Foto: Pedro França/Agência Senado

Debate do segundo turno estava entre os alvos
Uma das mensagens encontradas na investigação afirmava que o objetivo seria “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”, como forma de transmitir, a partir de Brasília, uma mensagem de caráter violento e antidemocrático. Os investigadores não identificaram, até o momento, qual emissora seria alvo da ação. Tradicionalmente, o primeiro debate eleitoral é feito pela Band e o último pela TV Globo.
Grupo estudava estrutura do Palácio do Planalto
Os investigados também compartilharam informações sobre a estrutura de prédios públicos e discutiram formas de acesso e saída do Palácio do Planalto. Segundo o delegado Maurílio Coelho Lima, o grupo chegou a compartilhar a planta baixa do edifício para discutir possíveis entradas e rotas de saída. Também foram encontrados mapas e informações sobre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação aponta planejamento de ataques
De acordo com relatório do Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça especializado no combate a crimes cibernéticos, o conteúdo analisado apresentava “elevado grau de periculosidade”, com planejamento de ações violentas, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
Entre os materiais identificados estavam manuais para fabricação de explosivos e coquetéis molotov, além de discussões sobre quantidade de explosivos, custos dos ataques e recrutamento de pessoas dispostas a cometer violência.
Dois grupos foram identificados no Telegram
A investigação identificou dois grupos na plataforma. Um deles reunia mais de 600 integrantes. Pessoas consideradas mais radicalizadas eram direcionadas para outro espaço, com 46 participantes, onde circulavam discussões e instruções relacionadas a possíveis ataques.
As conversas também indicavam discussões sobre recrutamento interestadual, formação tática, seleção de alvos e invasão de edifícios.
A Operação Rede Interrompida foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal em 4 de agosto. Foram cumpridos mandados de busca em oito cidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Os oito investigados têm entre 19 e 31 anos e podem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime. Computadores e celulares apreendidos durante a operação continuam sendo analisados para identificar a extensão dos planos e a participação individual dos suspeitos.
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