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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Quem perde e quem escapa do tarifaço dos EUA?

Taxa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor em 22 de julho, governo Lula acionará a Lei da Reciprocidade e especialistas avaliam os impactos
André Barbeiro-sbt
O presidente Lula e Donald Trump | Foto: Ricardo Stuckert
O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano a partir de 22 de julho, ampliando a tensão comercial entre os dois países. A medida pode atingir mais de 4.100 mercadorias, o equivalente a R$ 14,9 bilhões em exportações, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A Casa Branca justificou a decisão alegando que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais à indústria americana. Entre os pontos citados pelo governo Donald Trump estão o Pix, questões relacionadas ao combate à corrupção, desmatamento, tributação do etanol americano, proteção à propriedade intelectual e acordos comerciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Apesar da sobretaxa, autoridades americanas afirmam que as negociações seguem abertas e que a medida poderá ser revista caso haja avanços nas tratativas.

A reação brasileira veio de forma imediata. Na manhã desta quinta-feira (16), o governo federal anunciou que iniciará os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC).

🔎A Lei da Reciprocidade, promulgada em 2025, autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do Brasil.

Em nota, o Palácio do Planalto classificou a medida como unilateral e sem justificativa econômica, além de contestar a legitimidade das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo também destacou que os próprios dados americanos apontam um superávit de US$ 424,5 bilhões dos EUA no comércio bilateral de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

A crise diplomática ganhou novos contornos após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsabilizar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela imposição das tarifas. Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou "de boa-fé" e declarou que Lula teria colocado "seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro". Já o representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sustentou que a medida busca garantir condições justas de concorrência para trabalhadores e empresas americanas dentro da política "America First" do governo Trump. Mais no sbtnews

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