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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Drogas escondidas em livros infantis e lixeiras fazem PF bater recorde de apreensões no Aeroporto de Guarulhos

PF apreendeu quase quatro toneladas de entorpecentes e prendeu 820 pessoas em 2025; número de “mulas” que engoliram cápsulas de cocaína atingiu nível histórico
Juliana Tourinho - SBT
Livros infantis coloridos, com histórias sobre abelhas, árvores e pombas. À primeira vista, um material inocente — mas que escondia cocaína em seu interior. Esse foi apenas um dos flagrantes mais surpreendentes feitos pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, ao longo de 2025, ano que terminou com um recorde histórico no combate ao tráfico internacional de drogas.

Outro caso que chocou os agentes foi a droga escondida em fundos falsos de lixeiras, uma tentativa de burlar os sistemas de fiscalização do maior aeroporto da América do Sul, por onde passam cerca de 200 mil pessoas todos os dias.

Os números revelam a dimensão do problema: quase quatro toneladas de drogas (3.992 quilos) foram apreendidas e 820 pessoas acabaram presas ao longo do ano. Segundo a Polícia Federal, 46% de todo o material era cocaína, destinada principalmente à Europa. Já 52% correspondiam a haxixe e skunk, drogas que, ao contrário do fluxo tradicional, chegaram ao Brasil vindas de países da América do Norte e da Ásia.

De acordo com o delegado Júlio César Baida Filho, esse movimento chama a atenção dos investigadores.

“É o THC potencializado, a maconha cultivada em condições de laboratório. Essa droga fez o caminho inverso, tendo o Brasil como um país consumidor, vindo de diversas localidades do globo”, explicou.

O recorde está diretamente ligado à intensificação das operações: foram 50 ações ao longo do ano, praticamente uma por semana. A tecnologia também teve papel decisivo no combate às quadrilhas. Câmeras inteligentes, scanners corporais, aparelhos de raio X, tomógrafos e cães farejadores passaram a atuar de forma integrada na identificação de passageiros e cargas suspeitas.

Um dos dados mais alarmantes envolve as chamadas “mulas do tráfico” — pessoas que tentam transportar cocaína dentro do próprio corpo, engolindo cápsulas da droga antes de embarcar. Em 2025, 187 pessoas foram presas em flagrante nessa condição, o maior número já registrado no aeroporto.

Além de crime, o método é extremamente perigoso. Quem é flagrado com cápsulas no estômago precisa ficar internado de dois a três dias até expelir todo o material. O risco é de morte, principalmente durante voos.

“Isso é algo que nos preocupa muito, porque uma vez embarcada com cápsula no estômago, se ela estourar durante o voo, essa pessoa vai a óbito e ainda coloca a aviação em risco, porque antes disso entra em um estado de grande agitação”, alertou o delegado.

Os casos mostram que, por trás de capas aparentemente inofensivas e objetos do dia a dia, o tráfico internacional de drogas aposta em métodos cada vez mais ousados — enquanto a Polícia Federal reforça a vigilância para impedir que o aeroporto brasileiro continue sendo uma das principais rotas do crime organizado no mundo.

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