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sábado, 24 de janeiro de 2026

Ano novo também pode despertar frustração e medo de recomeçar

Expectativas elevadas e o luto por sonhos não realizados tornam o início do ano emocionalmente mais pesado, aponta especialista
Foto: reprodução/Freepik
Vicklin Moraes - SBT
O início do ano costuma ser associado à renovação, esperança e novos começos. No entanto, para muitas pessoas, esse período também desperta frustrações, inseguranças e medo de tentar novamente. Segundo a psicóloga Marilene Kehdi, especialista em atendimento clínico, ouvida pelo SBT News, esse movimento ocorre porque o começo do ano vem carregado de comparações, expectativas elevadas e pressão por mudanças imediatas.

Segundo a especialista, esse cenário incentiva um balanço emocional focado apenas no que não foi alcançado no ano anterior. Esse processo, somado ao cansaço físico e emocional acumulado e ao medo de repetir erros e frustrações passadas, pode intensificar sentimentos de falha, esgotamento e insegurança. A comparação constante com outras pessoas, especialmente a sensação de que “só eu não consegui”, reforça culpa, frustração e baixa autoestima.

Dentro desse contexto, Marilene destaca a importância de viver o luto pelos sonhos que não se realizaram. Quando esse luto é ignorado, a frustração tende a se manifestar como tristeza persistente, ansiedade, ressentimento e sensação de vazio, dificultando seguir em frente e investir em novos projetos.

"Porque se ficar pensando só nos sonhos que não foram realizados, nas metas e objetivos que não foram alcançados, vai desencadear cada vez mais sentimentos de tristeza, desilusão, frustração, insegurança e desmotivação. Então, não pode ficar preso só àquilo que a pessoa entende que não conseguiu, que não realizou, que não deu certo”, afirma.

Entre os sinais de paralisia emocional diante de experiências negativas estão a falta de iniciativa e a dificuldade de acreditar na própria capacidade. O medo de se frustrar novamente, segundo Marilene, pode funcionar como um mecanismo de proteção emocional, mas se torna prejudicial quando bloqueia escolhas, vínculos e novas tentativas.

A ressignificação das experiências frustrantes, explica a psicóloga, não significa negar a dor. Trata-se de reinterpretar o que foi vivido, acolher o sofrimento sem julgamento e extrair aprendizados que fortaleçam a resiliência. Dessa forma, a experiência deixa de ser apenas fonte de dor e passa a ser integrada como crescimento, compreensão de si e amadurecimento emocional.

Como orientação prática, a psicóloga propõe a construção de metas possíveis e conectadas com a realidade individual.

"Ter metas atingíveis, metas pequenas que toquem o seu coração, objetivos claros e sonhos realizáveis dão direcionamento à vida, aumentam o foco, mantêm a mente no presente e causam sensação de bem-estar e prazer. Isso tudo precisa ser alimentado e cultivado no dia a dia”, conclui.

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