Rinaldo de Oliveira / SNB
Novas regras para doação de sangue, que entram em vigor em setembro, vão reduzir períodos de espera e permitir que mais brasileiros possam se tornar doadores. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
As novas regras para doação de sangue no Brasil vão permitir que mais pessoas se tornem doadoras a partir de 30 de setembro de 2026. Na prática a mudança reduz o tempo de espera para pessoas que fizeram procedimentos como tatuagem, piercing, maquiagem definitiva, botox, endoscopia e colonoscopia e muda critérios para quem já teve alguns tipos de câncer.
O Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) saiu na frente e já começou a aplicar os novos critérios para a doação de sangue em todo o estado. As mudanças foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde na Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em julho. A norma atualiza os procedimentos hemoterápicos em todo o país e entra em vigor após um período de adaptação dos bancos de sangue e hemocentros.
“A nova Portaria entra em vigor em 30 de setembro de 2026”,
informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que acompanha a adequação dos serviços às novas regras.
Menos tempo após tatuagem e piercing
Uma das mudanças que pode ampliar o número de doadores é a redução do período de impedimento temporário depois de procedimentos estéticos invasivos.
Quem fizer tatuagem, maquiagem definitiva, botox ou colocar piercing deverá aguardar quatro meses para doar sangue, desde que cumpridos os demais critérios de segurança. Antes, em várias dessas situações, o período de espera podia chegar a um ano.
No caso de piercing colocado em cavidade oral ou genital, o prazo será de quatro meses após a retirada do acessório.
Endoscopia e colonoscopia
Também ficou menor o período de espera para doação de sangue de pessoas que realizaram exames endoscópicos.
Quem passar por endoscopia, colonoscopia ou outros procedimentos semelhantes deverá aguardar quatro meses. Antes, o intervalo previsto era de seis meses.
A redução dos prazos leva em consideração a atualização dos critérios técnicos de segurança utilizados na seleção dos doadores.
Quem teve câncer poderá doar em alguns casos
Outra mudança importante envolve pessoas que tiveram câncer.
Pelas novas regras, pacientes que terminaram o tratamento há pelo menos cinco anos, estão em remissão e não apresentam doença ativa poderão ser considerados aptos para a doação, dependendo do tipo de câncer e da avaliação realizada no hemocentro.
A possibilidade não vale para todos os tumores. Casos de leucemia, linfoma, mieloma e melanoma permanecem entre as contraindicações informadas pelos serviços de hemoterapia que estão se preparando para aplicar a nova portaria.
Com isso, pessoas que até então eram consideradas definitivamente inaptas em determinadas situações poderão passar por uma nova avaliação.
E quem usa canetas emagrecedoras?
Há também uma orientação específica para quem utiliza medicamentos agonistas de GLP-1, grupo que inclui semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, presentes em medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
Neste caso, o simples uso do medicamento não impede automaticamente a doação.
Segundo nota técnica do Ministério da Saúde, o candidato a doador de sangue deverá ser avaliado para verificar se apresentou náuseas, vômitos, diarreia persistente, refluxo grave ou sinais de desidratação, ou se começou a usar o medicamento ou aumentou a dose nos últimos 14 dias.
Nessas situações, a pessoa deverá aguardar pelo menos 14 dias após o desaparecimento dos sintomas ou após o início ou aumento da dose. O Ministério da Saúde também determina que seja verificado se houve compartilhamento da medicação injetável.
Outras mudanças
As novas normas também alteram outros critérios de seleção.
Após cirurgia bariátrica, por exemplo, o período de espera passa de um ano para seis meses, desde que a pessoa esteja clinicamente apta.
Pessoas com excesso de ferro no sangue também poderão ser consideradas doadoras quando não houver comprometimento de órgãos e os níveis de hemoglobina e hematócrito estiverem dentro dos parâmetros exigidos.
Quem utiliza anabolizantes, hormônios injetáveis ou faz reposição hormonal também poderá ser avaliado para doação, conforme os critérios previstos na nova regulamentação.
Quem pode doar sangue