Presidente afirmou que dívida com o objetivo de expandir patrimônio é “boa e necessária” em momento em que país tem 82% das famílias com contas atrasadas
Victor Schneider/SBT
Presidente Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (13) caminhos para se endividar de forma “saudável", três dias depois de o país registrar um recorde de famílias de baixa renda com contas atrasadas. Para Lula, a dívida só é ruim quando está ligada a apostas de quota fixa, as chamadas bets, mas é “boa e necessária” quando faz parte de compras que expandam suas posses.
“Eu não sou contra as pessoas estarem endividadas. Eu sou contra as pessoas estarem endividadas por uma dívida que não tem o objetivo de crescimento da melhoria da qualidade de vida ou de crescimento do patrimônio", disse Lula durante a divulgação da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) Mensalizadas, em Brasília.
Abertamente contrário à prática de apostas esportivas, Lula disse que o hábito cria um ciclo vicioso que amarra o usuário em um processo de superendividamento. “A desgraça do jogo é que você passa a vida inteira jogando para pagar o prejuízo do primeiro jogo que você fez", avaliou.
Por outro lado, o presidente pediu que o governo faça uma esforço para que os débitos a pagar sejam transferidos para a compra de utensílios, como eletrodomésticos e vestuário. “Nós temos que incentivar as pessoas a comprar, mas dentro do limite do que ela pode pagar.”
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada na segunda (13) pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que 82% das famílias brasileiras detém algum tipo de dívida, enquanto esse número salta para quase 85% entre quem recebe até três salários mínimos (R$ 4.863).
O alerta foi aceso no governo em julho, quando o Ministério da Fazenda, a pedido de Lula, lançou uma nova versão do programa Desenrola para renegociar dívidas e passou a exigir para o cadastro a autoexclusão a sites de aposta. Em balanço divulgado nesta quinta (13), a Fazenda informou que o total de brasileiros banidos de jogar já ultrapassou 5 milhões.
Dados do Rais mostram que o Brasil registrou 62,9 milhões de vínculos formais de emprego ativo no mês de junho. Desses, 48,2 milhões tem carteira de trabalho assinada e 14,3 milhões têm vínculos com o poder público como estatutário ou terceirizado. Outros 429 mil compõem outras categorias, como dirigente sindical e trabalho avulso portuário e não portuário.
O principal setor é o de serviços: são 38,3 milhões de brasileiros empregados. O comércio tem 10,5 milhões, enquanto a indústria soma 9,2 milhões. O salário médio é de R$ 4.389,49 – em janeiro, era de R$ 4.520,24.
Desde o início do governo, foram criados 10,1 milhões de empregos formais.
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