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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Divisão de tarefas domésticas e cuidado infantil: Como a sobrecarga afeta a saúde das mães

Neuropsicologa destaca impactos físicos e emocionais da sobrecarga feminina e propõe caminhos para uma vida mais equilibrada
Dados recentes mostram que a rotina de muitas mulheres brasileiras ainda está marcada por jornadas duplas – e, em muitos casos, triplas. Segundo o IBGE, mulheres dedicam, em média, 21,5 horas semanais a afazeres domésticos. Já a terceira edição da pesquisa Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, realizada pela Fundação Perseu Abramo e pelo SESC, aponta que mães de filhos pequenos passam cerca de 15 horas semanais cuidando das crianças. Por fim, o IPEA estima que mulheres com trabalho remunerado chegam a 47 horas semanais em suas ocupações profissionais.

“Esse nível de adoecimento físico e mental é desumano e cruel. Precisamos primeiro entender como estão as mulheres que cuidam das crianças – as mães – para depois pensarmos no bem-estar infantil”, alerta Aline Graffiette, neuropsicóloga e CEO da Mental One.

Para Aline, a sobrecarga não é inevitável. “Uma criança vem ao mundo por uma conjunção de duas pessoas. E, se a responsabilidade é compartilhada, por que os afazeres domésticos e o cuidado infantil ainda recaem majoritariamente sobre a mulher?”, questiona.

A especialista reforça que dividir tarefas domésticas e de cuidado não é apenas justo, mas essencial para a saúde mental e física das mulheres. “Na minha casa, por exemplo, aos finais de semana, as tarefas domésticas ficam por conta dos meninos. Eles passam aspirador, lavam a louça, retiram o lixo e arrumam as camas. Isso dá mais tempo para mim e permite que todos tenhamos uma vida mais equilibrada”, explica Aline.

Ela ainda destaca a importância de comunicar insatisfações e propor alternativas: “Quando abrimos mão de controlar a forma como tudo é feito, percebemos que existem diversas maneiras de realizar uma tarefa. E ao permitir isso, ganhamos mais qualidade de vida, humor e disposição para atividades que realmente nos fazem bem”.

Aline reforça que a mudança deve ocorrer em diferentes frentes: famílias, instituições e organizações. “Não há como uma sociedade se constituir como justa e feliz enquanto mulheres continuam sobrevivendo sob a alcunha de ‘maternidade’ ou ‘amor’”, conclui.

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