Entre alguns motivos, jogadores de futebol fazem furos nos meiões para evitar cãibras e lesões
Foto: Ilustração | Flashscore
Durante transmissões de partidas de futebol, é comum que telespectadores mais atentos notem um detalhe: muitos jogadores entram em campo com os meiões cortados ou com furos na região da panturrilha.
A cena, longe de ser um acaso ou desleixo, tem se tornado cada vez mais frequente, e foi vista novamente em jogos recentes da Copa Mundial de Clubes da FIFA.
Alguns jogadores de futebol fazem furos nos meiões.
Mas afinal, por que tantos atletas optam por essa prática? A resposta envolve conforto físico, prevenção de lesões e até questões relacionadas à compressão do material esportivo.
Furos nos meiões: alívio para a panturrilha
Para entender a prática desses jogadores, nossa reportagem conversou com Josias Ribeiro, especialista em medicina esportiva com passagem pelo Esporte Clube Bahia entre os anos de 1981 e 1982.
O médico concorda que os meiões utilizados pelos jogadores profissionais são geralmente confeccionados com materiais elásticos e de alta compressão, que ajudam na circulação sanguínea e no suporte muscular.
No entanto, destacou que para muitos atletas, essa compressão pode acabar sendo excessiva, especialmente na região da panturrilha, onde o músculo pode se expandir com mais intensidade durante o esforço físico.
De acordo com Josias Ribeiro, ao rasgar ou fazer alguns furos no meião, os jogadores buscam aliviar a pressão exercida sobre o músculo.
"Quando a compressão é muito forte, há risco de dor, cãibras e até restrição de movimento. O rasgo permite que o músculo trabalhe com mais liberdade", explicou o médico.
Outro motivo apontado pelo especialista é a prevenção de lesões. Quando o meião aperta demais, pode prejudicar o retorno venoso e limitar a oxigenação adequada da musculatura, aumentando as chances de microlesões e, até mesmo, problemas cardiovasculares, a longo prazo.
Em torneios de alto rendimento como o Mundial de Clubes, onde a intensidade das partidas é elevada e a recuperação entre jogos é curta, detalhes como esse fazem diferença.
Segundo Josias Ribeiro, hoje, já existem fabricantes de uniformes que estão produzindo meiões separados em duas partes: uma menor, protegendo pé e tornozelo e outra alcançando a perna, diminuindo a tensão do material sobre a parte mais musculosa.
Dr. Josias Ribeiro é especialista em medicina esportiva. Foto: Acervo Pessoal

Em campo, pequenos detalhes como esse podem fazer toda a diferença no desempenho – e o que parece desleixo, na verdade, é parte de uma estratégia pessoal para estar no auge físico durante os 90 minutos.
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