Por Carolina Faria | Folhapress
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Segundo o governo, medida tem como objetivo ampliar as oportunidades de ingresso no ensino superior, oferecendo mais flexibilidade a quem já fez a prova e deseja tentar novamente uma vaga pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada).
No entanto, parte dos estudantes reclamaram da medida nas redes sociais, com pedidos de revogação da portaria. Um abaixo-assinado também foi criado no site Change.org e conta com mais de 30 mil assinaturas.
Os insatisfeitos consideram a mudança injusta por entenderem que ela pode criar uma desigualdade entre quem está realizando o exame pela primeira vez e candidatos que já possuem notas anteriores.
"Acredito que essa mudança é injusta e elitista, favorecendo aqueles que tiveram condições de se preparar e realizar o exame em múltiplos anos e penalizando aqueles que, por diversas razões, têm que depender da nota de um único ano", diz o texto da petição.
Outros apontam que a decisão foi anunciada sem debate prévio com a comunidade estudantil e em um momento considerado inoportuno —em 24 de ourubro, a duas semanas da realização do Enem 2025.
Pela mudança, o sistema considerará a melhor média obtida pelo estudante entre as três últimas edições do exame imediatamente anteriores ao processo seletivo (para o Sisu 2026, por exemplo, serão avaliadas as pontuações obtidas em 2023, 2024 e 2025). Essa nota será usada para fins de inscrição, classificação e eventual seleção no curso escolhido.
De acordo com o pesquisador Renato Pedrosa, do Instituto de Estudos Avançados da USP, a possibilidade de utilização da nota de edições antigas do Enem era estudada desde a primeira versão do exame. "Na verdade, a ideia original é que o Enem, por ser equalizado no tempo, poderia ser utilizado por algum período e a pessoa não precisaria refazer o exame todo ano", explica.
Essa opção, de acordo com ele, mostrou-se inviável nos primeiros anos de sua realização. "Essa ideia original circulou quando foi instituído o Sisu [em 2009], mas ainda não era possível realizá-la na época, pois era preciso testar o modelo novo do Enem e confirmar se iria mesmo funcionar a equalização para anos diferentes", disse Pedrosa.
Sobre um eventual aumento da concorrência para os cursos mais disputados, o pesquisador afirma que as notas de corte podem subir um pouco, mas que só é possível afirmar isso com certeza depois da primeira experiência.
Questionado sobre a portaria, o MEC informou à Folha de S.Paulo que, ao permitir que candidatos de edições anteriores do Enem concorram novamente, o Sisu amplia o universo de participantes e, consequentemente, a probabilidade de preenchimento das vagas ofertadas.
A mudança busca otimizar a ocupação das vagas disponíveis em instituições públicas de educação superior, mantendo o princípio da isonomia entre todos os participantes.
Segundo a assessoria do ministério, outras instituições de educação superior públicas já adotam a utilização de mais de uma edição do Enem em seus processos seletivos próprios.
O MEC afirmou manter diálogo contínuo com as instituições públicas de educação superior, de forma a assegurar o aprimoramento das políticas de acesso à educação superior.
O ministério ainda afirmou que as provas do Enem são comparáveis entre si devido à metodologia da TRI (Teoria da Resposta ao Item), conjunto de modelos matemáticos que busca representar a relação entre a probabilidade de o participante responder corretamente a uma questão, o seu conhecimento na área em que está sendo avaliado e as características das questões.
Com base em parâmetros definidos, a comparabilidade entre as edições do mesmo ano e de anos diferentes é determinada pelos vários pré-testes a nível nacional. Esse processo permite estabelecer uma conexão entre as diversas edições do Enem.
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