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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Terapeuta robô: Solução acessível ou um risco ilusório invisível?

Por Andrea Ladislau
O programa dominical Fantástico trouxe essa semana uma abordagem muito importante sobre a eficácia de uma terapia por uma inteligência artificial. O dilema está na relação do trato do adoecimento emocional por um robô, uma máquina que, através de um aplicativo, promete um apoio psicológico a qualquer momento. Mas será que é possível receber acolhimento de um algoritmo e trabalhar questões psíquicas de forma segura?

De acordo com Andrea Ladislau, a tecnologia e o avanço das ferramentas de inteligência artificial são muito evidentes e incríveis, e não se pode negar que agrega valor e praticidade. Porém, para a especialista receber um diagnóstico ou um conselho de uma máquina, não traz a segurança necessária e a resposta correta que a mente necessita para se equilibrar emocionalmente.

“Tem ficado cada vez mais claro que, o crescimento das buscas de terapias por IA, está associado ao desejo de não ser julgado, não se sentir frustrado, além de não precisar gastar tanto dinheiro com sessões de terapia. Já que um robô pode ser muito mais acessível e alcançado a qualquer hora do dia, por um custo financeiro muito menor. No entanto, dicas e informações teóricas não substituem o acolhimento terapêutico que um profissional especializado, pode oferecer para quem está em busca de respostas mais precisas e subjetivas”, alerta a médica.

Importância da presença do especialista em saúde mental
Andrea complementa que a interação da prática clínica, que ocorre entre paciente e profissional de saúde mental é fundamental para o sucesso do manejo psíquico adequado. Além disso, a especialista que também é neuropsicóloga afirma que o vínculo que se cria é imprescindível para mitigar a falta de empatia e construir um ambiente seguro de confiança mútua, essencial no processo de cura e autoconhecimento.

“Vínculo esse, impossível de ser construído, de forma real, por um algoritmo. A personalização permite a leitura correta de sentimentos, emoções e percepções diferentes. A interação humana também é responsável por propiciar um suporte emocional formulado e instrumentalizado por técnicas específicas, aplicadas pelo terapeuta, para estimular e explorar a mente e o comportamento do paciente. E isso a máquina não é capaz de alcançar”, diz.

Para Andrea, pelo ponto de vista do sigilo ético da prática psicológica, também existem indícios da fragilidade da terapia com robôs. O que leva a concluir que, existem múltiplos na terapia realizada por uma inteligência artificial.

“Começando pela inexistência de um plano terapêutico humanizado, que atenda a todos os requisitos necessários para um acolhimento eficaz e personalizado”, diz.

Segundo a psicanalista em meio à Campanha do Setembro Amarelo de conscientização e prevenção do suicídio, o aumento das terapias por IA, preocupa e assusta.

“Pois, terapia exige uma escuta ativa e cuidadosa, através de uma interação real e humana. Já que a cura emocional só pode ser estabelecida através de uma série de fatores que, somados, constroem e auxiliam o equilíbrio da mente e do corpo”, afirma.

Portanto, para Andrea não é uma máquina ou um algoritmo programado que conseguirá escutar o que o paciente não fala ou permitir que ele se escute de verdade. Essa máquina não é capaz de dar ao paciente, o tempo necessário para olhar para si e reconhecer seus próprios gatilhos.

“Visto que, apesar da capacidade de inovação tecnológica, surpreender a cada dia, a pretensão de substituir o humano no manejo terapêutico comportamental, é perigoso e não cabe a uma inteligência artificial. Ela deixa a desejar na construção das intervenções que objetivam alcançar a cura emocional de pessoas adoecidas emocionalmente que, buscam conforto e respostas para seus medos, dúvidas, angústias, fraquezas pessoais e definições diagnósticas mais assertivas”, finaliza.

Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Possui especialização em Neuropsicologia, Psicopedagogia e Inclusão Digital. É palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos veículos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional de pessoas do Brasil inteiro.

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