Esse é um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. A neuropsicologia ganha destaque como ferramenta capaz de auxiliar na prevenção
Carol Mattos

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio aparece como a quarta principal causa de morte, atrás apenas de acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal. No Brasil, o cenário é alarmante. Levantamento da Secretaria de Vigilância em Saúde, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, mostra que, entre 2016 e 2021, houve aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos.
A disparidade de gênero também chama atenção: no país, a taxa chega a 12,6 por 100 mil homens, contra 5,4 por 100 mil mulheres. Enquanto na Europa alguns países conseguiram reduzir esses números, na América do Sul, América Central e Leste Asiático a curva segue em alta. Apesar da gravidade, apenas 38 países no mundo contam hoje com uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio.
É nesse cenário que a avaliação neuropsicológica ganha destaque como uma ferramenta capaz de auxiliar na prevenção. Para além da psicoterapia e do acompanhamento médico, esse exame permite compreender como o cérebro e as emoções funcionam de forma integrada, revelando vulnerabilidades que muitas vezes passam despercebidas.
Segundo a neuropsicóloga Carol Mattos, a análise atua como um verdadeiro “raio-x” do funcionamento cerebral.
“A avaliação neuropsicológica nos ajuda a entender como a pessoa lida com suas emoções, memória, atenção e tomada de decisão. Muitas vezes, dificuldades nessas áreas aumentam a vulnerabilidade para pensamentos suicidas. Quando detectamos essas fragilidades, conseguimos desenvolver estratégias de prevenção muito mais personalizadas”, explica.
O exame revela aspectos cognitivos e emocionais que escapam a consultas tradicionais, oferecendo um retrato detalhado do paciente.
“Em muitos casos, percebemos que a dificuldade em regular emoções ou até mesmo em manter o foco e a memória está diretamente ligada ao sofrimento psíquico. Quando a pessoa entende esse processo, ela se fortalece e passa a ter mais recursos para enfrentar suas dores”, afirma Carol Mattos.
A especialista ressalta que a avaliação não substitui a psicoterapia ou o tratamento médico, mas potencializa os resultados.
“É como se abríssemos uma janela para dentro do cérebro. A partir dessas informações, conseguimos orientar o paciente e integrar melhor o trabalho de todos os profissionais envolvidos no seu cuidado. Essa união multiprofissional é fundamental para salvar vidas”, conclui.
Quem é Carol Mattos?
Carolina Mattos é psicóloga formada pela Universidade Paulista, pós-graduada em neuropsicóloga infantil pelo Cepsic (Hospital das Clínicas), em psico oncologia pelo Hospital AC Camargo, e em oncologia pediátrica pelo GRAACC.
É especialista no tratamento de dependentes químicos, analista comportamental e terapeuta integrativa.
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