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sábado, 20 de setembro de 2025

Brasil registra 1,65 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024, aponta IBGE

Proporção de 4,3% supera a de 2023 e atinge principalmente jovens pretos ou pardos; levantamento alerta para jornadas extenuantes entre adolescentes.
Foto: Walter Campanha/ Agência Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta-feira (19) que o Brasil registrou 1,650 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024, o que corresponde a 4,3% da população entre 5 e 17 anos. O número representa 34 mil jovens a mais do que em 2023, quando o índice havia atingido o menor patamar da série histórica, de 4,2%.

Entre os jovens identificados, 1,195 milhão exerciam atividades econômicas e 455 mil produziam apenas para o próprio consumo, de acordo com o módulo experimental Trabalho de Crianças e Adolescentes da PNAD Contínua.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto, ponderou que ainda é cedo para afirmar uma reversão na tendência de queda do trabalho infantil. Ele explicou que nem todos os adolescentes de 14 a 17 anos que trabalham são enquadrados como casos de trabalho infantil, já que fatores como frequência escolar, jornada e tipo de atividade precisam ser considerados.

Os dados mostram que entre adolescentes de 16 e 17 anos, 30,3% trabalharam 40 horas ou mais por semana, 49,2% atuaram mais de 25 horas e 22% trabalharam até 14 horas semanais. Já entre crianças de 5 a 13 anos, 87,5% exerceram atividades por até 14 horas na semana. No total, 19,5% dos jovens entre 5 e 17 anos cumpriram jornadas de 40 horas ou mais, enquanto 41,1% trabalharam até 14 horas semanais.

O IBGE também apontou desigualdade racial: 66% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil são pretos ou pardos, enquanto 32,8% são brancos. Em termos proporcionais, 4,8% das crianças e adolescentes pretos ou pardos estavam nessa situação em 2024, contra 3,6% entre os brancos.

Especialistas alertam que o aumento, mesmo discreto, reforça a necessidade de políticas públicas eficazes para combater o trabalho infantil e promover a inclusão escolar e proteção social.

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