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sábado, 9 de agosto de 2025

“Me sinto invisível”, desabafa mulher tetraplégica com câncer de mama

Foto: Reprodução
A analista de sistemas Yoko Farias Sugimoto, de 41 anos, enfrenta uma luta dupla: além de ser tetraplégica desde os 20 anos, após um acidente em uma cama elástica, ela foi diagnosticada com câncer de mama em abril deste ano. O diagnóstico veio durante uma bateria de exames realizada no dia do seu aniversário, após sua ginecologista alertá-la sobre uma mudança no aspecto do seio. Com informações do Metrópoles.

Yoko lembra que percebeu a retração do mamilo, mas inicialmente não deu importância ao sintoma. Foi a médica quem, ao questionar se aquele aspecto era normal, a encaminhou imediatamente ao mastologista, onde recebeu a confirmação do câncer. O impacto do diagnóstico foi grande, mas Yoko enfrentou outro desafio: a dificuldade em encontrar um sistema de saúde preparado para acolher pessoas com deficiência.

“Me sinto invisível”, relata Yoko. Ela destaca que a rede de saúde ainda não reconhece o corpo da pessoa com deficiência como um corpo que também adoece, precisa ser examinado e acolhido. Um exemplo é a dificuldade em encontrar um mamógrafo acessível, algo tão raro quanto ganhar na loteria, segundo a paciente.

Dependente de cadeira de rodas, Yoko enfrenta barreiras cotidianas para realizar seu tratamento. Apesar do hospital onde faz quimioterapia ser acessível, muitas clínicas conveniadas não possuem estrutura adequada. Ela já teve que esperar dentro do carro por falta de macas e até foi carregada nos braços por desconhecidos, devido à ausência de equipamentos apropriados.

A cadeira de rodas que Yoko usa é antiga e não desmonta, dificultando o uso de carros de aplicativo, que não possuem espaço para o transporte da cadeira. Além da dificuldade de locomoção, Yoko relata que muitos profissionais de saúde ainda não sabem lidar com pacientes com deficiências, o que a faz se sentir como um enigma.

Apesar das dificuldades, Yoko encontrou na equipe oncológica que a acompanha um suporte fundamental. “Me tratam como mulher, não como estatística”, diz ela, que já realizou duas sessões de quimioterapia e está na metade do tratamento inicial. A mastologista prevê a necessidade da retirada da mama, e Yoko tem encarado com esperança os desafios que ainda virão.

A trajetória de Yoko é marcada pela superação desde a juventude. Aos 20 anos, um acidente em uma cama elástica a deixou tetraplégica. Ela perdeu a mãe ainda jovem e, após a morte da avó e do pai, está sem familiares próximos, contando com o apoio de amigos e da comunidade para seguir com o tratamento e a vida.

Além do benefício social do qual é beneficiária, Yoko se dedica aos estudos para concursos públicos e ao empreendedorismo. Ela também mantém uma vaquinha virtual para ajudar nos custos do tratamento e usa as redes sociais para compartilhar sua rotina e defender os direitos das pessoas com deficiência, buscando conscientizar sobre a invisibilidade e as barreiras enfrentadas.

A mastologista Maira Caleffi, presidente da Femama, destaca que a falta de estrutura adequada para mulheres com deficiência é um problema grave no tratamento do câncer de mama. Ela alerta para a ausência de mamógrafos adaptados e de serviços móveis que possam atender essas pacientes, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam inclusão e acessibilidade.

Yoko finaliza seu relato desejando que políticas públicas e clínicas entendam que atender pessoas com deficiência é mais do que apenas oferecer cadeiras de rodas. Ela quer que seu corpo seja reconhecido como um corpo que precisa ser prevenido, diagnosticado e tratado com dignidade e respeito, superando as invisibilidades e barreiras impostas pelo sistema.

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