Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

No entanto, o estudo revela que apenas um terço da população acima de 15 anos possui alfabetização consolidada, capacidade para interpretar textos complexos e lidar com números avançados. Outros 36% apresentam alfabetização elementar, enquanto 29% são considerados analfabetos funcionais. A melhora nesses índices tem sido lenta e estável nos últimos anos, sinalizando a necessidade de políticas públicas voltadas para populações vulneráveis, como negros, indígenas e pessoas em situação de pobreza.
Ana Lima, coordenadora do estudo, ressalta que o trabalho presencial funciona como ambiente de aprendizagem por meio da troca de experiências e ajuda mútua entre colegas. Por outro lado, modalidades de trabalho remoto ou a ausência de emprego, em especial durante períodos de crise, limitam esse desenvolvimento.
Embora o estudo não determine uma relação direta de causa e efeito entre trabalho e alfabetismo, Ana Lima afirma que jovens com maior domínio de leitura têm mais facilidade para ingressar no mercado, enquanto os que começam a trabalhar também tendem a melhorar suas habilidades.
Apesar dos avanços na escolarização das novas gerações, as exigências do mercado de trabalho, cada vez mais tecnológico e sofisticado, ainda são maiores do que a capacitação alcançada pelos jovens. Isso gera frustrações tanto para empregadores quanto para trabalhadores, que investiram mais tempo nos estudos mas enfrentam limitações práticas.
Para melhorar essa situação, a pesquisadora sugere a promoção de formação continuada e flexível, com parcerias entre empregadores e redes educativas, para que os jovens consigam conciliar estudo e trabalho de forma eficaz.
O estudo também aponta a importância da reestruturação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que hoje atende principalmente jovens que precisam retomar os estudos conciliando com o trabalho, diferente do foco anterior em trabalhadores mais velhos.
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