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sábado, 14 de junho de 2025

O medo como rotina: O desafio de circular nas cidades sendo mulher

Levantamento indica que, a cada 1,5 segundo, uma mulher é vítima de assédio nas ruas do país 
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Paloma Araújo (sob supervisão)
A insegurança condiciona a forma como as mulheres se deslocam nas cidades brasileiras. O medo — alimentado por casos constantes de assédio, perseguição e violência nas ruas — tem impacto direto sobre a mobilidade, fazendo com que muitas mulheres mudem suas rotinas e redefinam trajetos. “Nunca mais peguei ônibus”, relata Milena (nome fictício), vítima de assédio. “Se passa das 20h, não volto sozinha”, desabafa Bárbara. Karla Silva resume a sensação: “Você não se sente segura em nenhum lugar”.

No Brasil, a violência de gênero em espaços públicos é apontada como um dos principais entraves para que a população feminina possa se deslocar e usufruir plenamente dos espaços urbanos de forma segura. Dados de uma pesquisa nacional de 2024 revelam que 97% das mulheres têm medo de sofrer algum tipo de violência enquanto se locomovem, o que indica a nessidade de políticas públicas específicas de segurança.

Segundo o estudo Urbanismo sensível ao gênero: como oferecer cidades seguras para as mulheres, elaborado pela Consultoria Legislativa do Senado, as políticas de segurança, de planejamento urbano e de transportes não levam em conta as demandas desse público, e isso precisa mudar. Dados citados nesse estudo apontam que, no Brasil, uma mulher é vítima de assédio nas ruas a cada 1,5 segundo; a cada 6,9 segundos, uma mulher é vítima de perseguição; e, a cada 7,2 segundos, uma mulher sofre violência física.

Riscos nas ruas e nos transportes
Seja no transporte público ou nas ruas mal iluminadas, a violência tolhe o direito de ir e vir das mulheres em seus trajetos cotidianos. Karla Silva, 21 anos, moradora de Teresina, aprendeu cedo que circular pelas ruas da cidade não seria simples. Desde os 12 anos fazia sozinha o trajeto entre a escola e a casa — e ainda hoje, já universitária, convive com o mesmo medo.

— Você não tem paz. O tempo todo está pensando em uma escapatória, para onde vai correr.

A insegurança, segundo ela, não se restringe às ruas. Está presente até nas escolhas de transporte.

— Nem no ônibus nem no Uber eu me sinto segura. O "Uber carro" eu não pego sozinha. Fico pensando: e se o motorista travar as portas e eu não conseguir sair? Só pego "Uber moto", e ainda assim penso: se ele desviar o caminho, eu me jogo. É melhor me machucar do que sofrer um abuso. Porque é um trauma muito grande. Você não se sente segura em nenhum lugar. Mais na agenciasenado

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