Por Nathalia Garcia | Folhapress
Foto: Edu Mota / Bahia Notícias

No documento, mencionou cinco vezes o plano de manter a taxa de juros em um nível elevado durante um período "bastante prolongado". Na última quarta (18), o Copom decidiu, por unanimidade, elevar os juros em um ritmo menor, de 0,25 ponto percentual, subindo Selic a 15% ao ano.
Ao justificar a decisão, o colegiado avaliou que a atividade econômica ainda apresenta força, o que dificulta a convergência da inflação ao alvo e requer juros mais elevados.
A meta central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se ficar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto). O BC trabalha agora mirando a inflação do fim de 2026, conforme o sistema de avaliação contínua.
No boletim Focus divulgado às vésperas do encontro, na semana passada, os analistas projetavam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerraria 2025 acima da meta, em 5,25%, e ficaria no limite superior do intervalo de tolerância em 2026, em 4,5%. Para 2027, a estimativa mediana do mercado seguiu estacionada em 4%.
No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação para este ano subiu de 4,8% para 4,9%, ainda bastante acima do teto da meta. Para 2026, a estimativa se manteve em 3,6%.
Quanto à economia doméstica, disse ver sinais mistos com relação à desaceleração da atividade, mas observou "certa moderação" de crescimento. "O processo de moderação de crescimento segue ocorrendo, embora de forma bastante gradual", afirmou.
O comitê ponderou que o ciclo de alta até então executado foi "particularmente rápido e bastante firme", reforçando que grande parte do impacto dos juros sobre a economia ainda vai se materializar mais à frente dada a defasagem da política monetária.
O ciclo teve início em setembro do ano passado e até agora foram realizados sete aumentos consecutivos. A Selic acumulou elevação de 4,5 pontos percentuais nesse processo.
Assim como no comunicado, o colegiado do BC repetiu que prevê a interrupção do ciclo de alta da Selic no próximo encontro, em julho.
"A construção da confiança necessária para definir o patamar apropriado de restrição monetária ao longo do tempo passa por assegurar que os canais de política monetária estejam desobstruídos e sem elementos mitigadores para sua ação", disse.
Apesar de ter observado uma melhora no cenário internacional, como a reversão parcial das tarifas na guerra comercial aberta pelos Estados Unidos, disse que segue a visão preponderante de um cenário internacional ainda incerto e volátil.
De acordo com o colegiado, o conflito geopolítico no Oriente Médio e suas possíveis consequências sobre o mercado de petróleo também adicionam incerteza sobre o ambiente externo. Diante disso, o Copom falou em maior cautela na condução da política de juros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário